sábado, 20 de agosto de 2016
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Poetando
UTOPIA
O
que era palavra, calou-se
O
que era lembrança, apagou-se
O
que era eu se perdeu.
Nos
caminhos que o tempo propôs
A
andança sem fim me cansou..
E
o brilho do olhar se rendeu.
As
margens fecharam o cerco
prenderam
o rio em seu leito
E
ele não transbordou
A
vida que era abundante
morrendo
a cada instante
deu
adeus e não mais voltou.
Mas
se as águas pudessem voltar
E
invadir a alma de novo...
Alargar
o horizonte feliz...
Se
o silêncio rompesse num grito...
E
a bandeira da paz num agito
Recriasse
o mundo que eu quis?
A
palavra seria ouvida
A
lembrança jamais esquecida
Alegria
de se encontrar
Passos
firmes, jamais vacilantes
Lado
a lado, sem pressa, constantes,
Canto
e flores em todo lugar.
Eliete
Nov/2015
O não-falar
Diante do caos
Muitas vezes se impõe o silêncio...
Impetuoso, nem sempre ardil.
E quando esse é o silêncio que fala
Cá dentro
Palavras medonhas
Fétidas, sórdidas, mórbidas
Pululam freneticamente
E se chocam...
Se esbofeteiam...
Se esfacelam...
Na ânsia de se libertarem,
Mas o silêncio grita mais alto
Cala cada uma delas
E espera em tempo dar lugar à calmaria
Pra germinar coisa bonita de se ouvir, pois
Os ouvidos não perdoam destemperos
E o coração explode ante a covardia.
Eliete
Maio/2015
Salvação
A tempestade que caiu
Inundou meu coração
Do pecado – a expiação
Mergulhando nas verdades
Me afoguei no teu amor
Eu tive medo, superei
Minha pobreza interior
Quando tua força me invadiu
E um arco-íris fez surgir
Pão partido,
Vinho tinto,
Eu deixei-me seduzir...
Por isso eu canto com palavras
E com meu corpo a ti, Senhor!
Faze vibrar minhas entranhas
Com teu projeto de amor
Que eu seja sempre instrumento
Da tua luz e salvação
E saiba ler os teus sinais
No olhar aflito do irmão.
Quero comer da tua carne, quero beber
do teu sangue!
Quero cumprir teu mandamento, me
achegar a tua mesa
Quero semear a paz, a justiça e o
perdão
Quero que esse mundo viva a tão
sonhada comunhão!
Eliete
Dez/2015
Quando eu me despir
Você vai ver
O que ficou gravado
No meu coração
É amor pra valer
Você vai saber que o meu sorriso
E o meu olhar
Sempre disseram tudo
O que a boca não conseguiu falar.
Você vai perceber
Que a distância aparente
Era o meu jeito inocente
De pedir pra você me amar
Se não quiser acreditar
Tudo bem, deixa pra lá
Mas se não quiser se arrepender
Não perca tempo
O meu lado solitário
Só esteve acompanhado por você.
Quando eu me despir
Você vai ver...
Eliete- dez/2015
RECORDAÇÕES
Lá na roça na casinha pequenina,
No vale frio bem no meio das mangueiras
Sentava à tarde para ouvir o violão
E com meu pai cantar modinhas costumeiras
Muitos ‘causos’, brincadeiras, alegria
Vendo os sonhos passeando na janela
Voando alto na difícil travessia
De cada dia de trabalho e sentinela.
Não percebi que o tempo ia tão depressa
Levando a infância para o fundo da memória
Tranquei à chave e cresci jogando fora
A melhor parte que
vivi em minha história.
Adormecidas lá ficaram bem no fundo
Imprensadas num tumulto de afazeres
Trazendo à tona na
fadiga da saudade
Vejo as lembranças
questionando meus deveres.
E se embaraço nas palavras e no choro
Eu não me importo, vou seguindo sempre em frente
Não há conforto, vaidade ou honraria
Capaz de preencher o vazio de uma mente.
Hoje visito as recordações passadas,
Na tentativa de encontrar-me uma vez mais
Em remendos de lembranças e ilusões
Vou dando os nós, reconstruindo minha paz.
Eliete
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Tira da Mafalda

E aí, Turma 701/2013, a Mafalda conseguiu acalmar a mãe dela? Por quê?
Em que consiste o humor da tira?
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Roteiro de Atividades - Crônica e conto /9° ano
EIXO BIMESTRAL: CONTO E CRÔNICA
ROTEIRO DE ATIVIDADES ORIGINAL - ELIETE CASTRO
EIXO BIMESTRAL: CRÔNICA E CONTO
2º CICLO
TEXTO GERADOR 1:
A piscina do tio Víctor
Ondjaki
Para o tio Víctor que nos dava prendas-do-dia. Para a "Buraquinhos"
Quando o tio Víctor chegava de Benguela, as crianças até ficavam com vontade de fugar à escola só para ir lhe buscar no aeroporto dos voos das províncias. A maka é que ele chegava sempre a horas difíceis e a minha mãe não deixava ninguém faltar às aulas.
Então era em casa, à hora do almoço, que encontrávamos o tio Víctor. E o sorriso dele, gargalhada tipo cascata e trovão também, nem dá para explicar aqui em palavras escritas. Só visto mesmo, só uma gargalhada dele já dava para nós começarmos a rir à toa, alegres, enquanto ele iniciava umas magias benguelenses.
- Isto vocês de Luanda nunca viram - abria a mala onde tinha rebuçados, chocolates ou outras prendas de encantar crianças, mais o baralho de cartas para magias de aparecer e desaparecer o ás de ouros, também umas camisas posteradas que nós, "os de Luanda", não aguentávamos.
À noite deixávamos ele jantar e beber o chá que ele gostava sempre depois das refeições. Devagarinho, eu e os primos, e até alguns amigos da rua, sentávamos na varanda à espera do tio Víctor. É que o tio Víctor tinha umas estórias de Benguela que, é verdade, nós os de Luanda até não lhe aguentávamos naquela imaginação de teatro falado, com escuridão e alguns mosquitos tipo convidados extra.
Eu já tinha dito ao Bruno, ao Tibas e ao Jika, cambas da minha rua, que aquele meu tio então era muito forte nas estórias. Mas o principal, embora ninguém tivesse nunca visto só uma foto de admirar, era a piscina que ele disse que havia em Benguela, na casa dele:
- Vocês de Luanda não aguentam, andam aqui a beber sumo Tang!
Ele ria a gargalhada dele, nós ríamos com ele, como se estivessem mil cócegas espalhadas no ar quente da noite.
- Nós lá temos uma piscina enorme - fazia uma pausa dos filmes, nós de boca aberta a imaginar a tal piscina. - Ainda por cima, não é água que pomos lá - eu a olhar para o Tibas, depois para o Jika:
- Não vos disse?
O tio Víctor continuou assim numa fala fantasmagórica:
- Vocês aqui da equipa do Tang não agüentam..., a nossa piscina lá é toda cheia de Coca-Cola!
Aí foi o nosso espanto geral: dos olhos dos outros, eu vi, saía um brilho tipo fósforo quase a acender a escuridão da varanda e assustar os mosquitos, nós, as crianças, de boca aberta numa viagem de língua salivada, outros a começarem a rir de espanto, de repente todos gargalhámos, o tio Víctor também, e rebentámos numa salva de palmas que até a minha mãe veio ver o que se estava a passar.
Agora já ninguém me perguntava nada, falavam directamente com o tio Víctor, queriam mais pormenores da piscina e ainda saber se podiam ir lhe visitar um dia destes.
- Vai todo mundo - o tio Víctor riu, olhou para mim, piscou-me o olho. - Vem um avião buscar a malta de Luanda! Preparem a roupa, vão todos mergulhar na piscina de Coca-Cola, nós lá não bebemos desse vosso sumo Tang...
- Ó Víctor, pára lá de contar essas coisas às crianças - a minha mãe chegou à varanda.
Ele piscou-lhe o olho e continuou ainda mais entusiasmado.
- Não tem maka nenhuma, pode ir toda malta da rua, temos lá em Benguela a piscina de Coca-Cola! Os cantos da piscina são feitos de chuinga e chocolate!
Nós batemos palmas de novo, depois estreámos um silêncio de espanto naquelas quantidades de doce.
- A prancha de saltar é de chupa-chupa de morango, no chuveiro sai Fanta de laranja, carrega-se num botão ainda sai Sprite... - ele olhava a minha mãe, olhos doces apertados pelas bochechas de tanto riso, batemos palmas e fomos saindo.
Quando entrei de novo em casa, fui lá para cima dizer boa noite a todos. Passei no quarto do tio Víctor, ele tinha só uma luz do candeeiro acesa.
- Tio, um dia podemos mesmo ir na tua piscina de Coca-Cola?
Ele fez assim com o dedo na boca, para eu fazer um pouco-barulho.
- Nem sabes do máximo... No avião que vos vem buscar, as refeições são todas de chocolate com umas palhinhas que dão voltas tipo montanha-russa!, lá em Benguela há rebuçados nas ruas, é só apanhar ! e ficou a rir mesmo depois de apagar a luz, até hoje fico a perguntar onde é que o tio Víctor de Benguela ia buscar tantas gargalhadas para rir assim sem medo de gastar o reservatório do riso dele.
Fui me deitar, antes que a minha mãe me apanhasse a conversar àquela hora. No meu quarto escuro quis ver, no tecto, uma água que brilhava escura e tinha bolinhas de gás que faziam cócegas no corpo todo. Nessa noite eu pensei que o tio Víctor só podia ser uma pessoa tão alegre e cheia de tantas magias porque ele vivia em Benguela, e lá eles tinham uma piscina de Coca-Cola com bué de chuínga e chocolate também. Vi, também no tecto, o jeito dele estremecer o corpo e esticar os olhos em lágrimas de tanto rir.
Foi bonito: adormeci, em Luanda, a sonhar a noite toda com a província de Benguela.
Ondjaki nasceu em Luanda, em 1977 e vive no Brasil. Ficcionista e poeta. Escreve para o cinema e produziu um documentário sobre a cidade de Luanda (Oxalá cresçam Pitangas - histórias de Luanda, 2006). É licenciado em Sociologia. Suas obras foram traduzidas para francês, espanhol, italiano, alemão e inglês.
Disponível em:http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1877624-EI6620,00-Estorias+A+piscina+do+tio+Victor.html
ATIVIDADES DE LEITURA:
O título do texto é "A piscina do tio Víctor". Lendo esta narrativa você constata que a piscina tem características singulares. Marque a opção que mostra, de forma mais completa, o quanto a piscina é diferente:
a) O tio vem de Benguela visitar a casa do sobrinho em Luanda e as crianças desejam estar com ele, com suas brincadeiras, seu jeito de ser e suas histórias.
b) As crianças ouvem as histórias contadas pelo tio Víctor e se encantam com a história da piscina de Coca-Cola a ponto de desejarem conhecer a tal piscina em Benguela.
c) O sobrinho do tio Víctor (narrador-personagem da história) adormece encantado, pensando na história do tio.
d) O desfecho estaria na conclusão de que as pessoas em Benguela são mais felizes dos que as de Angola.
Quais são os personagens principais e os secundários deste conto?
4)
Quais são os locais focalizados no conto?
5)
Após o tio falar da piscina que existiria em sua casa em Benguela, e descrevê-la, as crianças mostram-se maravilhadas com a história. É difícil estabelecer um momento que seria o mais importante do conto, uma vez que ele não tem clímax. Poderíamos pensar numa espécie de resultado, ou efeito sensorial (línguas salivadas), no curso e no final da história maravilhosa do tio Víctor. Após ouvirem a história, as crianças desejam saber mais detalhes da piscina de Coca-Cola e manifestam um desejo verossímil. O que eles desejavam saber e fazer?
6)
O tio Víctor é apresentado como um tipo alegre e sorridente que gosta de contar histórias às crianças. São várias as passagens do texto que ilustram sua alegria. Retire uma delas e transcreva-a, abaixo.
ATIVIDADES DE USO DA LÍNGUA:
7) A piscina narrada era produto da imaginação do Tio Víctor. No texto há uma passagem que confirma esta afirmação.
a) Transcreva a passagem.
b) Sublinhe o verbo que tem o sentido de "existir" no trecho transcrito por você.
8)
Apesar de ninguém ter visto a tal piscina de Coca-cola, as crianças expressam o desejo de conhecê-la. Responda:
a) Como seria a viagem de avião, até Benguela, na descrição do tio Víctor?
b) Que palavra/ advérbio de lugar indica que o tio Víctor, além da viagem, também descreve a chegada em Benguela?
9)
O personagem e narrador da história é um menino. Ele termina a narrativa com a frase: " Foi bonito: adormeci, em Luanda, e sonhei a noite toda com a província de Benguela." Se as outras crianças também tivessem sonhado o mesmo sonho, como ficaria a frase no plural?
10) Apresentamos, a seguir, um vocabulário de apoio ao texto gerador.
ROTEIRO DE ATIVIDADES ORIGINAL - ELIETE CASTRO
LIXO, LIXADO
Orolando Mapanga não tinha onde cair vivo? É a impura verdade. Dele se fica sabendo que não existe pobreza de espírito. O que há é miséria sem espírito. O caso sendo universátil merece as tantas linhas. Pois o que importa não é o acontecimento mas a gente que há no não.acontecer da vida. Lugar de viver de Orolando era na lixeira, lá no interior, primeira transversal, à direita. Com boas vistas para o mar, mesmo na vertente de um monte de desperdício. Apanhando boa brisa, mau grado os péssimos odores. Ali ele despachava os seus afazeres. Ao fim da tarde, saía a procurar restos de comida, gordurazinhas, singelas putrefacções. Raspava o fundo das latas, auscultava o ventre dos sacos. Ao ler seu constante sorriso, dir-se-ia que a felicidade é coisa encontrável mesmo na imundície. Orolando bem que defendia as vantagens do lugar:
- Aqui não chega nenhum bandido.
Lugar seguro de viver, isso ele garantia. Sossegado, também. Só no fim da madrugada o silêncio se sujava com os camiões trazendo o lixo. Mas, para ele, aquele barulho era o anunciar da mantimentação. Nunca se aproximou dos camiões. Ele não queria mostrar a sua vivência a ninguém, chamar a inveja dos outros. Essa gente quer coisas completas, cheias. A mim me basta o bocadinho da metade era o pensar dele enquanto empurrava um velho carrinho de mão pelas ruelas da lixeira. Outra vantagem era a guerra morar longe. É verdade que ali sempre se escutavam disparos. Mas era coisa da distância, lá no lugar dos citadinos. Certa noite, ao buscar adomercimento, Mapanga escutou um ronco.
- É um porco, isso.
Sabia, o campo lhe ensinara. Voz de bicho era sua sapiência. Pelo cantar de uma só galinha ele adivinhava o tamanho de toda a criação. Pelo balido do cabrito ele sabia a cor do bicho. Desta vez, porém, ao invés da doce lembrança dos campos, seus olhos se nevoaram de ódio. Afinal, havia outro ser disputando as sobras. E ali mesmo jurou morte ao intruso. Desde então se dedicou a perseguir o suíno. Saía manhã cedinho à procura dele. A lixeira nunca lhe parecera tão grande. Ele conhecia os recantos, os fedores, os charcos. Porém, não havia maneira. O bicho esburacava nos monturos, sacana, não ficava nem rasto do cheiro. Vantagem do porco é ter um focinho polivalente, dá para escavar também. Até que, numa madrugada, Orolando desapertou com um bafo que se despejava em seu rosto. Berrou, borrou-se.
- Maiuê, as hienas me comem o nariz!
Palpou o escuro, deu de mãos numa pele lisa, agarrou com força. Foi como se espremesse um saco cheio de gritos. Era o porco em aflição. Segurou a presa com força, que a bicheza é inteligente há muito mais tempo que os homens. Amarrou-lhe as pernas e ficou-se longo tempo a contemplar a berraria do prisioneiro. Primeiro, lhe chegou um sentimento que há muito tempo não experimentava. Ali estava um vencido implorando as clemências. Gozou aquele poder, em desconhecimento fundo de sua alma. Afinal, agora ele era proprietário, não de restos mas de uma vida inteira e recheada. Enquanto matutinava este sentimento, de quando em quando, despachava uns pontapés no bicho. Nesse dia, nem saiu a procurar abastecimento. Só ficou ali, olhando o novo habitante, escolhendo o destino a lhe aplicar. Indecidia-se morte haveria de ser. Mas o porco merecia ser comido? Deixou o despacho para mais tarde aquela era sentença que não viria do pensamento. A noite chegou, cansada do seu trabalho na outra face do mundo. Orolando Mapanga anotou o frio, juntou velhos jornais à sua volta. Mas o cacimbo lhe trouxe arrepios, esgotados que estavam seus agasalhos. Então ele se chegou ao porco, abraçou-lhe como só merece uma mulher. E, aos poucos, se foi contagiando com o quentinho de uma outra vida. No seguinte dia, ele se polemicava mais vale a fome ou o calor de uma companhia? Pelo sim pelo talvez, decidiu adiar a sentença do bicho. E quando, entre os lixos, descobriu uma velha corda, lhe deu uso de trela e levou o suíno a passear. Mesma coisa os brancos fazem com os cães. O bicho de estimação mereceu até nome téksmanta. [Texmanta nome de uma fábrica têxtil em Moçambique] Agora, quem passar pela lixeira pode ver um porco, com dignidade canina, encaminhando seu dono pelos detritos, oferecendo seu faro para a escolha das migalhas da sobrevivência. Dizem o Mapanga se vai esquecendo da língua humana, soletrando só a fonética do bicho. Afinal, vivendo na porcaria ele combina melhor com o idioma dos porcos é o parecer dos trabalhadores do lixo quando se despedem dos domínios de Orolando Mapanga.
- Aqui não chega nenhum bandido.
Lugar seguro de viver, isso ele garantia. Sossegado, também. Só no fim da madrugada o silêncio se sujava com os camiões trazendo o lixo. Mas, para ele, aquele barulho era o anunciar da mantimentação. Nunca se aproximou dos camiões. Ele não queria mostrar a sua vivência a ninguém, chamar a inveja dos outros. Essa gente quer coisas completas, cheias. A mim me basta o bocadinho da metade era o pensar dele enquanto empurrava um velho carrinho de mão pelas ruelas da lixeira. Outra vantagem era a guerra morar longe. É verdade que ali sempre se escutavam disparos. Mas era coisa da distância, lá no lugar dos citadinos. Certa noite, ao buscar adomercimento, Mapanga escutou um ronco.
- É um porco, isso.
Sabia, o campo lhe ensinara. Voz de bicho era sua sapiência. Pelo cantar de uma só galinha ele adivinhava o tamanho de toda a criação. Pelo balido do cabrito ele sabia a cor do bicho. Desta vez, porém, ao invés da doce lembrança dos campos, seus olhos se nevoaram de ódio. Afinal, havia outro ser disputando as sobras. E ali mesmo jurou morte ao intruso. Desde então se dedicou a perseguir o suíno. Saía manhã cedinho à procura dele. A lixeira nunca lhe parecera tão grande. Ele conhecia os recantos, os fedores, os charcos. Porém, não havia maneira. O bicho esburacava nos monturos, sacana, não ficava nem rasto do cheiro. Vantagem do porco é ter um focinho polivalente, dá para escavar também. Até que, numa madrugada, Orolando desapertou com um bafo que se despejava em seu rosto. Berrou, borrou-se.
- Maiuê, as hienas me comem o nariz!
Palpou o escuro, deu de mãos numa pele lisa, agarrou com força. Foi como se espremesse um saco cheio de gritos. Era o porco em aflição. Segurou a presa com força, que a bicheza é inteligente há muito mais tempo que os homens. Amarrou-lhe as pernas e ficou-se longo tempo a contemplar a berraria do prisioneiro. Primeiro, lhe chegou um sentimento que há muito
*Mia Couto
*Mia Couto é um dos escritores moçambicanos mais conhecidos no estrangeiro. António Emílio Leite Couto ganhou o nome Mia do irmãozinho que não conseguia dizer "Emílio". Segundo o próprio autor a utilização deste apelido tem a ver com sua paixão pelos gatos e desde pequeno dizia a sua família que queria ser um deles. Nasceu na Beira, a segunda cidade de Moçambique, em 1955.
Atividades de Leitura
1. O conto é um texto curto que pertence ao grupo dos gêneros narrativos ficcionais. O que você acabou de ler é construído em torno de poucas ações, que ocorrem em um só espaço, num breve período. No conto “Lixo, lixado”:
a) A personagem Orolando Mapanga é negro?
b) Onde acontecem os fatos narrados? Como é descrito o espaço?
c) Há no conto expressões que indicam o tempo em que se passa a ação. Identifique essas expressões.
d) Levante hipóteses: Qual o tempo de duração dos fatos relatados no conto?
Habilidade trabalhada: Localizar informações explícitas em um texto. Inferir informação implícita em um texto. Explorar contos afro-brasileiros e africanos.
Resposta Comentada: Por ser uma narrativa curta, geralmente o conto apresenta apenas um conflito, e poucos personagens. O espaço em que atuam esses personagens é restrito, limitado, e o episódio localizado passa-se num curto lapso de tempo (horas ou dias). No conto em estudo os fatos giram em torno de Orolando Mapanga e o porco Téksmanta (chamar a atenção para o nome dado ao porco e à relação que se constrói entre as personagens). Orolando, negro (cf “Mesma coisa os brancos fazem com os cães.”) vive numa lixeira em Moçambique (dedução a partir da biografia do autor - fora militante da Frente de Libertação de Moçambique, lutando pela independência de seu país entre 1964 a 1974. Ajudou a compor o hino nacional moçambicano, e trabalhou para o governo durante a guerra civil culminada no período de 1976 a 1992 e pelas expressões: “...lá no interior, primeira transversal, à direita. Com boas vistas para o mar...”- vide localização de Moçambique no globo, ou google Earth, ou mapa da África). Para Orolando a lixeira é um local seguro, distante da guerra (só se ouvem os disparos), ao mesmo tempo o autor descreve como local de desperdício, com péssimos odores, charcos: espaço do não.acontecer da vida.
Embora não seja determinado o tempo de forma exata, podemos inferir que as ações transcorrem em poucos dias: “Certa noite”, escutou um ronco. “Desde então decidiu perseguir o suíno. Saía manhã cedinho...” “Até que numa madrugada...”. Não há como precisar a duração dos fatos, talvez uma semana, pouco mais ou menos, por isso, o levantamento de hipóteses.
2. Nos gêneros narrativos, a sequência de fatos que mantêm entre si uma relação de causa e efeito constitui o enredo. Compõem o enredo: introdução, complicação, clímax, desfecho.
a) Em que parágrafo encontramos o conflito (complicação) do texto Lixo, lixado.
b) Qual é o momento de maior tensão?
c) No desfecho do conto pode ocorrer a solução do conflito ou uma revelação para a personagem. No conto lido, como é organizado o desfecho?
Habilidade trabalhada: Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa. Identificar as características específicas do gênero em questão
Resposta Comentada: Nos contos, o narrador, por meio de descrições das personagens, do cenário, do tempo, conduz o conflito que, rapidamente, se desenvolve e caminha para seu final, não raramente surpreendendo o leitor. Narra-se uma única ação, que compreende tudo o que acontece na história: os fatos e os atos envolvendo as personagens. Em “Lixo, lixado”, o narrador-observador inicia o conto dialogando com o leitor, apresentando a personagem Orolando Mapanga, sua condição de vida sub-humana, seu pensamento, como denomina “caso universátil” que revela a gente que há no não.acontecer da vida. O conflito tem início logo no quarto parágrafo, quando Orolango identifica um novo morador na lixeira, o que lhe provoca ódio e perseguição. O porco passa a ser caçado, mas ele próprio entrega-se ao seu caçador. Nesse ponto, chegamos ao clímax: Orolando indecidia-se. Matar? Ou deixar viver? E como disse: aquela era sentença que não viria do pensamento. No desfecho, vem a solução do conflito – o porco vive, ganha nome, torna-se animal de estimação; ao mesmo tempo há uma revelação para a personagem: Orolando acostumado a viver sozinho descobre no porco o calor de uma companhia. Para aqueles que o veem, “vivendo na porcaria, ele combina melhor com o idioma dos porcos.”
3. Você assistirá agora a um pequeno vídeo (13’10”), denominado Ilha das Flores, ao término responda: (disponível em http://www.youtube.com/watch?v=Hh6ra-18mY8)
a) Qual a correlação existente entre o conto Lixo, lixado e o vídeo Ilha das Flores?
b) Qual o objetivo do conto:
a) argumentar b) informar c) entreter d) regular comportamentos e) persuadir
Habilidade trabalhada: Identificar o tema de um texto. Estabelecer relações temáticas entre textos diversos. Identificar a finalidade do texto.
Resposta Comentada: A intertextualidade é a propriedade de diálogo estabelecida entre os textos seja do ponto de vista temático, ou não, diálogo amplo do texto com o universo do leitor. O conto e o vídeo analisados têm em comum trabalhar com a temática da miséria humana. Pessoas sobrevivem do lixo enquanto outros desperdiçam. O conto narra a situação de Orolando como universátil (o que a faz merecer tantas linhas) e sua revolta, num primeiro momento, ao ter que dividir o espaço com um porco. É uma narrativa que, se faz críticas ao comportamento humano ambicioso e esbanjador, o faz de forma sutil, porque visa ao entretenimento. Une fato e opinião: se a lixeira, o homem, o porco são verossímeis, podemos imaginá-los dormindo juntos abraçados? Aquecendo-se? O vídeo tem uma linguagem persuasiva, enciclopédica e diferentemente do conto tem a intenção de provocar reação em quem o vê. É questionador no que diz respeito à relação opressor x oprimido. Na Ilha das Flores, os porcos e os humanos não se fazem companhia, porque hierarquicamente os porcos têm mais valor que as pessoas. Os dois textos trabalhados juntos se complementam e podem provocar um debate sobre os valores, entre eles, a liberdade: "palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda" e que pode levar à discussão do valor cultural afro-brasileiro.
Atividades de Uso da Língua
1. O título do texto é “Lixo, lixado”. Observe esses trechos:
“Orolando Mapanga não tinha onde cair vivo? É a impura verdade.”
“O que há é miséria sem espírito.”
Como você justifica o título do texto?
Habilidade trabalhada: Inferir o significado de uma palavra ou expressão.
Resposta Comentada: Homem lixado é um homem prejudicado em sua história pessoal e tramado nas suas falas, ações e sonhos. Morto antes de nascer. Alguém que tem a identidade misturada ao lixo. Orolando Mapanga foi absorvido pelo lixo, marcado, foi lixado. Perdeu o aspecto humano, soletra a fonética do bicho. Ressaltar a riqueza de neologismos presentes no texto, característica de Mia Couto. Há nesse autor um imensa capacidade de invenção, patente, por exemplo, na concepção dos nomes das personagens, e de recriar o real, numa mística africana.
2. Observe o trecho a seguir e a palavra nele destacada.
“Afinal, agora ele era proprietário, não de restos mas de uma vida inteira e recheada.”
Mais do que uma vez o narrador inicia um período com a expressão destacada. Que sentido ela dá ao texto? Assinale, depois substitua-a por outra palavra ou expressão sem perda de significado para o contexto.
a) explicação b) conclusão c) adição d) oposição e) alternância
Habilidade trabalhada: Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc. Substituir, incluir e retirar conjunções sem alterar o sentido das sequências.
Resposta Comentada: O advérbio afinal significa em conclusão, portanto, a resposta é a letra b. Poderá ser substituída sem prejuízo por enfim, finalmente, por fim. Essa atividade possibilita a identificação de elementos responsáveis pela coesão textual, pela sequência lógica da história.
3. Nas duas construções a seguir, observe os elementos de coesão destacados. Em qual caso a conjunção coordenativa foi empregada com a ideia de contrariedade, oposição, contraste? Em qual caso a ideia que prevalece é de ressalva em relação a um fato anterior?
“Mas era coisa da distância, lá no lugar dos citadinos.”
“Pois o que importa não é o acontecimento mas a gente que há no não.acontecer da vida.”
Habilidade trabalhada: Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.
Resposta Comentada: No primeiro período a ideia que prevalece é de ressalva em relação a um fato anterior, enquanto no segundo período há a oposição de ideias expressas no período. É importante que o aluno perceba que um mesmo conector pode apresentar sentidos distintos dependendo da forma e do contexto em que são empregados.
Atividades de Produção Textual
1. “...quem passar pela lixeira pode ver um porco, com dignidade canina, encaminhando seu dono pelos detritos, oferecendo seu faro para a escolha das migalhas da sobrevivência. Dizem o Mapanga se vai esquecendo da língua humana, soletrando só a fonética do bicho. Afinal, vivendo na porcaria ele combina melhor com o idioma dos porcos é o parecer dos trabalhadores do lixo quando se despedem dos domínios de Orolando Mapanga.”
Em duplas: Dê continuidade ao texto. Você é narrador-personagem, recém-chegado à lixeira. Como será sua relação com Orolando Mapanga? Que conflito viverão? Que experiências conseguirão construir ou não? Como resolverão as disputas de espaço?
Utilize o discurso direto.
Utilização das TICs: depois de submeter o texto à apreciação da classe, as duplas deverão preparar uma apresentação no Movie Maker, associando texto – imagem – som e publicá-la no blog da turma.
Habilidade trabalhada: Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto. Usar o discurso direto. Reconhecer e usar a paragrafação e a pontuação adequadamente.
Resposta Comentada: É importante observar os elementos coesivos que estabelecerão a relação de continuidade do texto. “Os mecanismos da coesão dão conta da estruturação da sequência superficial do texto (seja por recursos conectivos ou referenciais); não são simplesmente princípios sintáticos e sim uma espécie de semântica da sintaxe textual, onde se analisa como as pessoas usam os padrões formais para transmitir conhecimentos e produzir sentidos com recursos linguísticos.”(Marcuschi). Da mesma forma, observar a pontuação do discurso direto, emprego dos verbos dicendi, divisão em parágrafos.
REFERÊNCIAS
Marcuschi, Luiz Antônio. Produção Textual, análise de gêneros e compreensão.
A obra desenvolve o estudo da produção textual com ênfase na linguística de texto de base cognitiva, a análise sociointerativa de gêneros textuais no contínuo fala-escrita, processos de compreensão textual e produção de sentido. Destaque: Primeira Parte, Processos de Produção Textual, 1.10 Critérios de textualização: visão geral (coesão, coerência, intencionalidade, aceitabilidade, situacionalidade, intertextualidade, informatividade.
Borgatto, Ana; Bertim, Terezinha; Marchezi, Vera. Tudo é Linguagem. Ática.
No capítulo dois: Crônica e Conto, está o texto Metonímia, ou vingança do enganado, Rachel de Queiroz, Quadro I, II e III com grande quantidade de atividades. O texto é um exemplo de texto narrativo misto: um conto dentro de uma crônica.
http://www.youtube.com/watch?v=Hh6ra-18mY8 – Vídeo Ilha das Flores. Curta de 13m10s numa linguagem enciclopédica que pela repetição leva ao questionamento acerca das relações socioeconômicas, opressor x oprimido, desperdício, valores.
http://www.cdcc.sc.usp.br/cav/doc45.htm - sinopse do vídeo Ilha das Flores.
http://ciberjornal.files.wordpress.com/2009/01/mia-couto-ficha-informativa.pdf- Biografia de Mia Couto. Neste site há uma ficha informativa com a biografia do autor, seu estilo literário, alguns dados sobre Moçambique.
http://www.lumiarte.com/luardeoutono/miacouto1.html - Neste espaço há três contos de Mia Couto: A velha e a aranha; Lixo, lixado e Os infelizes cálculos da felicidade. Todos muito bons.
http://www.africaimagens.com/NovaMais01.pdf - Revista página 26, artigo e imagens – Os lixados.
EIXO BIMESTRAL: CRÔNICA E CONTO
2º CICLO
TEXTO GERADOR 1:
A piscina do tio Víctor
Ondjaki
Para o tio Víctor que nos dava prendas-do-dia. Para a "Buraquinhos"
Quando o tio Víctor chegava de Benguela, as crianças até ficavam com vontade de fugar à escola só para ir lhe buscar no aeroporto dos voos das províncias. A maka é que ele chegava sempre a horas difíceis e a minha mãe não deixava ninguém faltar às aulas.
Então era em casa, à hora do almoço, que encontrávamos o tio Víctor. E o sorriso dele, gargalhada tipo cascata e trovão também, nem dá para explicar aqui em palavras escritas. Só visto mesmo, só uma gargalhada dele já dava para nós começarmos a rir à toa, alegres, enquanto ele iniciava umas magias benguelenses.
- Isto vocês de Luanda nunca viram - abria a mala onde tinha rebuçados, chocolates ou outras prendas de encantar crianças, mais o baralho de cartas para magias de aparecer e desaparecer o ás de ouros, também umas camisas posteradas que nós, "os de Luanda", não aguentávamos.
À noite deixávamos ele jantar e beber o chá que ele gostava sempre depois das refeições. Devagarinho, eu e os primos, e até alguns amigos da rua, sentávamos na varanda à espera do tio Víctor. É que o tio Víctor tinha umas estórias de Benguela que, é verdade, nós os de Luanda até não lhe aguentávamos naquela imaginação de teatro falado, com escuridão e alguns mosquitos tipo convidados extra.
Eu já tinha dito ao Bruno, ao Tibas e ao Jika, cambas da minha rua, que aquele meu tio então era muito forte nas estórias. Mas o principal, embora ninguém tivesse nunca visto só uma foto de admirar, era a piscina que ele disse que havia em Benguela, na casa dele:
- Vocês de Luanda não aguentam, andam aqui a beber sumo Tang!
Ele ria a gargalhada dele, nós ríamos com ele, como se estivessem mil cócegas espalhadas no ar quente da noite.
- Nós lá temos uma piscina enorme - fazia uma pausa dos filmes, nós de boca aberta a imaginar a tal piscina. - Ainda por cima, não é água que pomos lá - eu a olhar para o Tibas, depois para o Jika:
- Não vos disse?
O tio Víctor continuou assim numa fala fantasmagórica:
- Vocês aqui da equipa do Tang não agüentam..., a nossa piscina lá é toda cheia de Coca-Cola!
Aí foi o nosso espanto geral: dos olhos dos outros, eu vi, saía um brilho tipo fósforo quase a acender a escuridão da varanda e assustar os mosquitos, nós, as crianças, de boca aberta numa viagem de língua salivada, outros a começarem a rir de espanto, de repente todos gargalhámos, o tio Víctor também, e rebentámos numa salva de palmas que até a minha mãe veio ver o que se estava a passar.
Agora já ninguém me perguntava nada, falavam directamente com o tio Víctor, queriam mais pormenores da piscina e ainda saber se podiam ir lhe visitar um dia destes.
- Vai todo mundo - o tio Víctor riu, olhou para mim, piscou-me o olho. - Vem um avião buscar a malta de Luanda! Preparem a roupa, vão todos mergulhar na piscina de Coca-Cola, nós lá não bebemos desse vosso sumo Tang...
- Ó Víctor, pára lá de contar essas coisas às crianças - a minha mãe chegou à varanda.
Ele piscou-lhe o olho e continuou ainda mais entusiasmado.
- Não tem maka nenhuma, pode ir toda malta da rua, temos lá em Benguela a piscina de Coca-Cola! Os cantos da piscina são feitos de chuinga e chocolate!
Nós batemos palmas de novo, depois estreámos um silêncio de espanto naquelas quantidades de doce.
- A prancha de saltar é de chupa-chupa de morango, no chuveiro sai Fanta de laranja, carrega-se num botão ainda sai Sprite... - ele olhava a minha mãe, olhos doces apertados pelas bochechas de tanto riso, batemos palmas e fomos saindo.
Quando entrei de novo em casa, fui lá para cima dizer boa noite a todos. Passei no quarto do tio Víctor, ele tinha só uma luz do candeeiro acesa.
- Tio, um dia podemos mesmo ir na tua piscina de Coca-Cola?
Ele fez assim com o dedo na boca, para eu fazer um pouco-barulho.
- Nem sabes do máximo... No avião que vos vem buscar, as refeições são todas de chocolate com umas palhinhas que dão voltas tipo montanha-russa!, lá em Benguela há rebuçados nas ruas, é só apanhar ! e ficou a rir mesmo depois de apagar a luz, até hoje fico a perguntar onde é que o tio Víctor de Benguela ia buscar tantas gargalhadas para rir assim sem medo de gastar o reservatório do riso dele.
Fui me deitar, antes que a minha mãe me apanhasse a conversar àquela hora. No meu quarto escuro quis ver, no tecto, uma água que brilhava escura e tinha bolinhas de gás que faziam cócegas no corpo todo. Nessa noite eu pensei que o tio Víctor só podia ser uma pessoa tão alegre e cheia de tantas magias porque ele vivia em Benguela, e lá eles tinham uma piscina de Coca-Cola com bué de chuínga e chocolate também. Vi, também no tecto, o jeito dele estremecer o corpo e esticar os olhos em lágrimas de tanto rir.
Foi bonito: adormeci, em Luanda, a sonhar a noite toda com a província de Benguela.
Ondjaki nasceu em Luanda, em 1977 e vive no Brasil. Ficcionista e poeta. Escreve para o cinema e produziu um documentário sobre a cidade de Luanda (Oxalá cresçam Pitangas - histórias de Luanda, 2006). É licenciado em Sociologia. Suas obras foram traduzidas para francês, espanhol, italiano, alemão e inglês.
Disponível em:http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1877624-EI6620,00-Estorias+A+piscina+do+tio+Victor.html
ATIVIDADES DE LEITURA:
O título do texto é "A piscina do tio Víctor". Lendo esta narrativa você constata que a piscina tem características singulares. Marque a opção que mostra, de forma mais completa, o quanto a piscina é diferente:
- " _ Vocês da equipa do Tang não agüentam..., a nossa piscina é toda cheia de Coca-Cola"
- "_ A prancha de saltar é de chupa-chupa de morango, no chuveiro sai Fanta de laranja, carrega-se num bolão e ainda sai Sprite...".
- "No meu quarto escuro quis ver, no tecto, uma água que brilhava escura e tinha bolinhas de gás que faziam cócegas no corpo todo".
- [...]são todas de chocolate com umas palhinhas que dão voltas tipo montanha-russa!
a) O tio vem de Benguela visitar a casa do sobrinho em Luanda e as crianças desejam estar com ele, com suas brincadeiras, seu jeito de ser e suas histórias.
b) As crianças ouvem as histórias contadas pelo tio Víctor e se encantam com a história da piscina de Coca-Cola a ponto de desejarem conhecer a tal piscina em Benguela.
c) O sobrinho do tio Víctor (narrador-personagem da história) adormece encantado, pensando na história do tio.
d) O desfecho estaria na conclusão de que as pessoas em Benguela são mais felizes dos que as de Angola.
Quais são os personagens principais e os secundários deste conto?
4)
Quais são os locais focalizados no conto?
5)
Após o tio falar da piscina que existiria em sua casa em Benguela, e descrevê-la, as crianças mostram-se maravilhadas com a história. É difícil estabelecer um momento que seria o mais importante do conto, uma vez que ele não tem clímax. Poderíamos pensar numa espécie de resultado, ou efeito sensorial (línguas salivadas), no curso e no final da história maravilhosa do tio Víctor. Após ouvirem a história, as crianças desejam saber mais detalhes da piscina de Coca-Cola e manifestam um desejo verossímil. O que eles desejavam saber e fazer?
6)
O tio Víctor é apresentado como um tipo alegre e sorridente que gosta de contar histórias às crianças. São várias as passagens do texto que ilustram sua alegria. Retire uma delas e transcreva-a, abaixo.
ATIVIDADES DE USO DA LÍNGUA:
7) A piscina narrada era produto da imaginação do Tio Víctor. No texto há uma passagem que confirma esta afirmação.
a) Transcreva a passagem.
b) Sublinhe o verbo que tem o sentido de "existir" no trecho transcrito por você.
8)
Apesar de ninguém ter visto a tal piscina de Coca-cola, as crianças expressam o desejo de conhecê-la. Responda:
a) Como seria a viagem de avião, até Benguela, na descrição do tio Víctor?
b) Que palavra/ advérbio de lugar indica que o tio Víctor, além da viagem, também descreve a chegada em Benguela?
9)
O personagem e narrador da história é um menino. Ele termina a narrativa com a frase: " Foi bonito: adormeci, em Luanda, e sonhei a noite toda com a província de Benguela." Se as outras crianças também tivessem sonhado o mesmo sonho, como ficaria a frase no plural?
10) Apresentamos, a seguir, um vocabulário de apoio ao texto gerador.
Fugar - faltar às aulas /Maka- conversa, questão, disputa, caso, assunto/Rebuçados- açúcar queimado; calda de açúcar/Posteradas- com muito estilo/Cambas- amigos, companheiros/Sumo-suco/Malta- turma, grupo de amigos/Chuinga- chiclete/Bué- muito
Com base no vocabulário:
a)Crie duas frases utilizando as palavras listadas. Utilize, ainda, uma das conjunções coordenativas, a seguir: aditiva ( e, não só, mas também), adversativas ( mas, porém, contudo, no entanto), alternativas ( ou, ora...ora), conclusiva (logo,pois,portanto), explicativa ( porque, que) na frase criada por você.
b) Substitua a conjunção sublinhada na oração por outra de igual valor: "...embora ninguém tivesse nunca visto".
ATIVIDADES DE PRODUÇÃO TEXTUAL:
Se você fosse autor e pudesse escolher um novo título para o texto lido, que título você usaria?
Imagine uma continuação para a história lida, dê um título para o seu texto que deverá ser exposto em um blog. Algumas sugestões de como continuar o texto:
- o tio Víctor resolve levar as crianças (ou apenas o sobrinho) para conhecer Benguela e planeja a viagem.
- as crianças (ou apenas o sobrinho) entram no avião descrito na história e fazem uma viagem fantástica até Benguela.
- as crianças (ou apenas o sobrinho) desembarcam em Benguela e conhecem, finalmente, a piscina. Uma das crianças se afoga na coca-cola. Morre bebendo.
13) Se pensarmos neste conto lido e no conto tradicional João e Maria (aquele em que duas crianças se perdem na floresta e encontram uma casa toda feita de doces) percebemos que entre eles há semelhanças e diferenças.
Pesquise versões para o conto tradicional "João e Maria", dos irmãos Grimm, em livros, internet ou na sua família. Reconte a história com suas palavras.
Compare os dois textos: A piscina do tio Víctor e João e Maria. Quais são as semelhanças e as diferenças entre eles? Escreva-as.
14- Visite os espaços virtuais dos autores Ondjaki e Ferréz . O primeiro é o autor do conto africano lido. O segundo é um autor que desenvolve a temática afro-brasileira. Selecione um texto de Ferréz.
Endereço do site do autor Ondjaki (http://www.kazukuta.com/ondjaki/ondjaki.html)
Endereço do site e do blog do escritor Ferréz: http://www.ferrez.com.br/
http://ferrez.blogspot.com/
Após conhecer estes espaços, e em grupo, pesquise as informações que você considera mais importantes sobre os autores e anote-as. Você pode pesquisar, por exemplo:
- o porquê do nome desses autores
- suas origens/de onde eles são
- o que propõem com suas obras
- as suas principais obras
Apresentar o resultado da pesquisa, em aula, oralmente, ou por escrito, em cartazes ou murais.
Com base no vocabulário:
a)Crie duas frases utilizando as palavras listadas. Utilize, ainda, uma das conjunções coordenativas, a seguir: aditiva ( e, não só, mas também), adversativas ( mas, porém, contudo, no entanto), alternativas ( ou, ora...ora), conclusiva (logo,pois,portanto), explicativa ( porque, que) na frase criada por você.
b) Substitua a conjunção sublinhada na oração por outra de igual valor: "...embora ninguém tivesse nunca visto".
ATIVIDADES DE PRODUÇÃO TEXTUAL:
Se você fosse autor e pudesse escolher um novo título para o texto lido, que título você usaria?
Imagine uma continuação para a história lida, dê um título para o seu texto que deverá ser exposto em um blog. Algumas sugestões de como continuar o texto:
- o tio Víctor resolve levar as crianças (ou apenas o sobrinho) para conhecer Benguela e planeja a viagem.
- as crianças (ou apenas o sobrinho) entram no avião descrito na história e fazem uma viagem fantástica até Benguela.
- as crianças (ou apenas o sobrinho) desembarcam em Benguela e conhecem, finalmente, a piscina. Uma das crianças se afoga na coca-cola. Morre bebendo.
13) Se pensarmos neste conto lido e no conto tradicional João e Maria (aquele em que duas crianças se perdem na floresta e encontram uma casa toda feita de doces) percebemos que entre eles há semelhanças e diferenças.
Pesquise versões para o conto tradicional "João e Maria", dos irmãos Grimm, em livros, internet ou na sua família. Reconte a história com suas palavras.
Compare os dois textos: A piscina do tio Víctor e João e Maria. Quais são as semelhanças e as diferenças entre eles? Escreva-as.
14- Visite os espaços virtuais dos autores Ondjaki e Ferréz . O primeiro é o autor do conto africano lido. O segundo é um autor que desenvolve a temática afro-brasileira. Selecione um texto de Ferréz.
Endereço do site do autor Ondjaki (http://www.kazukuta.com/ondjaki/ondjaki.html)
Endereço do site e do blog do escritor Ferréz: http://www.ferrez.com.br/
http://ferrez.blogspot.com/
Após conhecer estes espaços, e em grupo, pesquise as informações que você considera mais importantes sobre os autores e anote-as. Você pode pesquisar, por exemplo:
- o porquê do nome desses autores
- suas origens/de onde eles são
- o que propõem com suas obras
- as suas principais obras
Apresentar o resultado da pesquisa, em aula, oralmente, ou por escrito, em cartazes ou murais.
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