sábado, 22 de setembro de 2012

Formação Continuada - Roteiro para estudo da Crônica


  ROTEIRO DE ATIVIDADES

- 1º bimestre do 9º ano do Ensino Fundamental -

 

EIXO BIMESTRAL: CRÔNICA


Texto Gerador  1:
Um idoso na fila do Detran 
                “O senhor aqui é idoso”, gritava a senhora para o guarda, no meio da confusão na porta do Detran da Avenida Presidente Vargas, apontando com o dedo o tal "senhor". Como ninguém protestasse, o policial abriu caminho para que o velhinho enfim passasse à frente de todo mundo para buscar a sua carteira.
                O jornal tem recebido muitas cartas elogiando e outras criticando aquele departamento de tão má reputação. Afinal, melhorou ou não o serviço? Cheguei a pensar em sugerir à editoria de Cidade que mandasse fazer uma daquelas matérias em que o repórter desse o seu testemunho. Simularia tirar uma carteira e assim desfaria as dúvidas.
                Agora, ali, no posto da Gávea, esperando a minha vez, eu me sentia fazendo as funções desse repórter, e tudo começava bem. A operação toda não demorou nem meia hora e eu já ia aplaudir o atendimento, quando, ao lado da boa notícia - aprovação no exame de vista - me deram uma má: teria que ir à Avenida Presidente Vargas para pegar a carteira.
                Foi assim que acabei assistindo àquela confusão de que falei no início. Aliás, não só assisti como dela participei: o “idoso” que a dama solidária queria proteger do empurra-empurra não era outro senão eu.
                Até hoje não me refiz do choque, eu que já tinha me acostumado a vários e traumáticos ritos de passagem para a maturidade: dos 40, quando em crise se entra pela primeira vez nos “enta”; dos 50, quando, deprimido, se sente que jamais vai se fazer outros 50 (a gente acha que pode chegar aos 80, mas aos 100?); e dos 60, quando um eufemismo diz que a gente entrou na "terceira idade". Nunca passou pela minha cabeça que houvesse uma outra passagem, um outro marco aos 65 anos. E, muito menos, nunca achei que viesse a ser chamado, tão cedo, de "idoso", ainda mais numa fila do Detran.
                Na hora, tive vontade de pedir à tal senhora que falasse mais baixo. Na verdade, tive vontade mesmo foi de lhe dizer: “idoso é o senhor seu pai”. O que mais irritava era a ausência total de hesitação ou dúvida. Como é que ela tinha tanta certeza? Que ousadia! Quem lhe garantia que eu tinha 65 anos, se nem pediu pra ver minha identidade? E o guarda paspalhão, por que não criou um caso, exigindo prova e documentos? Será que era tão evidente assim?
                Como além de idoso eu era um recém-operado, acabei aceitando ser colocado pela porta adentro. Mas confesso que furei a fila sonhando com a massa gritando, revoltada: “esse coroa tá furando a fila! Ele não é idoso! Manda ele lá pro fim!” Mas que nada, nem um pio.
                O silêncio de aprovação aumentava o sentimento de que eu era ao mesmo tempo privilegiado e vítima - do tempo. Me lembrei da manhã em que acordei fazendo 60 anos: “Isso é uma sacanagem comigo”, me disse, “eu não mereço”. Há poucos dias, ao revelar minha idade, uma jovem universitária reagira assim: “Mas ninguém lhe dá isso”.           Respondi que, em matéria de idade, o triste é que ninguém precisa dar para você ter. De qualquer maneira, era um gentil consolo da linda jovem. Ali na porta do Detran nem isso, nenhuma alma caridosa para me “dar” um pouco menos.
                Subi e a mocinha da mesa de informações apontou para os balcões 15 e 16, onde havia um cartaz avisando: “Gestantes, deficientes físicos e pessoas idosas”. Hesitei um pouco e ela, já impaciente, perguntou: “o senhor não tem mais de 65 anos, não é idoso?”
                - Não, sou gestante - tive vontade de responder, mas percebi que não carregava nenhum sinal aparente de que tinha amamentado ou estava prestes a amamentar alguém. Saí resmungando: “não tenho mais, tenho só 65 anos”.
                O ridículo, a partir de uma certa idade, é como você fica avaro em matéria de tempo: briga por causa de um mês, de um dia. “Você nasceu no dia 14, eu sou do dia 15”, já ouvi essa discussão.
                Enquanto espero ser chamado, vou tentando me lembrar quem me faz companhia nesse triste transe. Aí, se não me falha a memória - e essa é a segunda coisa que mais falha nessa idade - me lembro que Fernando Henrique, Maluf e Chico Anysio estariam sentados ali comigo. Por associação de idéias, ou de idades, vou recordando também que só no jornalismo, entre companheiros de geração, há um respeitável time dos que não entram mais em fila do Detran, ou estão quase não entrando: Ziraldo, Dines, Gullar, Francis, Evandro Carlos, Milton Coelho, Janio de Freitas (Lemos, Barreto, Armando e Figueiró já andam de graça em ônibus há um bom tempo). Sei que devo estar cometendo injustiça com um ou outro - de ano, meses ou dias - e eles vão ficar bravos. Mas não perdem por esperar: é questão de tempo.
                Ah, sim, onde é que eu estava mesmo? “No Detran”, diz uma voz. Ah, sim. “E o atendimento?” Ah, sim, está mais civilizado, há mais ordem e limpeza. Mas, mesmo sem entrar em fila, passa-se um dia para renovar a carteira.
                Por via das dúvidas, acho melhor o jornal mandar um repórter não-idoso fazer a matéria.
(Crônica de Zuenir Ventura publicada no Jornal do Brasil, 7/9/96.)

ATIVIDADES DE LEITURA

QUESTÃO 1:
Em uma crônica apresentam-se fatos e acontecimentos atuais narrados sob o ponto de vista de quem escreve.  Trata-se de um gênero que circula por meio de jornais, livros, revistas e, até mesmo, blogs na internet. É, portanto, um gênero acessível e presente no nosso dia a dia, daí sua importância na literatura nacional.
Há crônicas com vários enfoques e feitas com diferentes propósitos.  Sobre a “fórmula” deste gênero textual, o estudioso Antônio Candido, por exemplo, ensina que em sua construção explora-se “um fato miúdo” com “ um toque humorístico”.
Sendo assim, a partir das informações fornecidas, responda:
a)É possível se afirmar que o Texto Gerador I é um texto contemporâneo?  Justifique sua resposta, indicando que elementos do texto comprovam ou não essa afirmação.
b) Com base no que afirma o estudioso Antônio Cândido, o que se poderia considerar como “fato miúdo” no texto de Zuenir Ventura?


QUESTÃO 2:
Há vários tipos de crônica.  O Texto Gerador I, por exemplo, é uma crônica narrativa.  Nesta, narra-se um fato do cotidiano que se passa num curto espaço de tempo e é recheado de pequenos acontecimentos que marcam seu humor. Suas personagens não têm descrição psicológica profunda e nem nome, pois são apresentadas por uma ou duas características centrais, suficientes para compor traços genéricos, com os quais uma pessoa comum pode se identificar.
Leia atentamente o Texto Gerador I e, baseando-se nas informações dadas, responda:
a) Qual é o  foco narrativo (1° pessoa ou 3° pessoa) em que a história é apresentada?  Justifique.
b) Em que espaço os fatos ocorrem?
c) Em quanto tempo aproximadamente a história acontece?
d) Quem é a personagem central da crônica? Como ela pode ser caracterizada?
e) Qual é o conflito da história?
QUESTÃO 3
A construção de uma narrativa pode se estruturar de modo ficcional ou não ficcional.  Os textos não ficcionais baseiam-se na realidade, ao passo que os ficcionais têm por pano de fundo um mundo inventado, onde os acontecimentos ocorrem conforme o enredo da história.
Com base nas informações anteriores, que elementos presentes no texto podem identificá-lo como não ficcional?
Questão 4
                Apesar de as crônicas serem tratadas, na maior parte das vezes, como textos essencialmente narrativos, esse gênero não se limita apenas à construção de uma história.  O autor sempre apresenta seu ponto de vista sobre determinado acontecimento do cotidiano que esteja narrando.  Ou seja, na crônica, o autor se vale de um fato, mas, na verdade, acaba por construir uma opinião a partir desse evento.
                Em seu texto, Zuenir Ventura apresenta um fato do cotidiano – no qual ele é personagem central – e também faz comentários sobre a situação pela qual passou.  Sendo assim, separe em duas colunas o que é fato e o que é opinião na crônica lida.

ATIVIDADES DE USO DA LÍNGUA
QUESTÃO 5
Por meio da pontuação, procuramos reconstituir o movimento da elocução oral, já que a língua escrita “não dispõe dos inúmeros recursos rítmicos e melódicos da língua falada”.  Para isso, utilizamos um conjunto de sinais que, além da marcação de pausas, poderão indicar o término de um período, o início de uma fala de personagem, intercalação de informações, dentre outras funções.
No Texto Gerador I, pode-se observar o uso de aspas em algumas passagens apresentadas no quadro em seguida.  Qual a função das aspas em cada uma delas?
 “O senhor aqui é idoso” (linha 1)
(...) o “idoso” que a dama solidária queria proteger do empurra-empurra não era outro senão eu. (linha 16)
Questão 6
                Na construção de uma narrativa, os fatos giram em torno de personagens e são conduzidos por um narrador – que pode ser personagem da história ou não. A forma como esse narrador apresenta as informações varia, conforme a intencionalidade empreendida. A apresentação das falas, por exemplo, pode dar-se de maneira direta – em que as personagens falam por si mesmas ­–  ou indireta – em que o narrador se apropria da fala dessas personagens.  No texto lido, a maior parte dessas falas estão marcadas por aspas. Entretanto, há um trecho em que se utiliza o travessão para identificar o discurso direto.  Por que motivo o autor optou pelo uso do travessão no trecho e aspas no resto da crônica para a representação do discurso direto?
Questão 7
Na escrita, o autor dispõe somente do léxico e dos sinais de pontuação para recriar uma situação de fala. Ao relatar uma fala, por exemplo, os verbos que estão no presente vão geralmente para o pretérito. Além disso, as expressões de tempo e lugar são indicadas a partir do ponto de vista do narrador, como o advérbio aqui, no discurso direto, que passa a ali ou lá, no discurso indireto.
Considerando as mudanças que podem ocorrer na transição de um tipo de discurso a outro, reescreva o trecho do quadro em discurso indireto.
- Não, sou gestante - tive vontade de responder, mas percebi que não carregava nenhum sinal aparente de que tinha amamentado ou estava prestes a amamentar alguém. Saí resmungando: “não tenho mais, tenho só 65 anos”.
TEXTO GERADOR II

Elogio da morte
(Lima Barreto)
Não sei quem foi que disse que a Vida é feita pela Morte. É a destruição contínua e perene que faz a vida.
A esse respeito, porém, eu quero crer que a Morte mereça maiores encômios.
É ela que faz todas as consolações das nossas desgraças; é dela que nós esperamos a nossa redenção; é ela a quem todos os infelizes pedem socorro e esquecimento.
Gosto da Morte porque ela é o aniquilamento de todos nós; gosto da Morte porque ela nos sagra. Em vida, todos nós só somos conhecidos pela calúnia e maledicência, mas, depois que Ela nos leva, nós somos conhecidos (a repetição é a melhor figura de retórica), pelas nossas boas qualidades.
É inútil estar vivendo, para ser dependente dos outros; é inútil estar vivendo para sofrer os vexames que não merecemos.
A vida não pode ser uma dor, uma humilhação de contínuos e burocratas idiotas; a vida deve ser uma vitória. Quando, porém, não se pode conseguir isso, a Morte é que deve vir em nosso socorro.
A covardia mental e moral do Brasil não permite movimentos de independência; ela só quer acompanhadores de procissão, que só visam lucros ou salários nós pareceres. Não há, entre nós, campo para as grandes batalhas de espírito e inteligência. Tudo aqui é feito com o dinheiro e os títulos. A agitação de uma idéia não repercute na massa e quando esta sabe que se trata de contrariar uma pessoa poderosa, trata o agitador de louco.
Estou cansado de dizer que os malucos foram os reformadores do mundo.
Le Bon dizia isto a propósito de Maomé, nas suas Civilisation des arabes, com toda a razão; e não há chanceler falsificado e secretária catita que o possa contestar.
São eles os heróis; são eles os reformadores; são eles os iludidos; são eles que trazem as grandes idéias, para melhoria das condições da existência da nossa triste Humanidade.
Nunca foram os homens de bom senso, os honestos burgueses ali da esquina ou das secretárias chics que fizeram as grandes reformas no mundo.
Todas elas têm sido feitas por homens, e, às vezes mesmo mulheres, tidos por doidos.
A divisa deles consiste em não ser panurgianos e seguir a opinião de todos, por isso mesmo podem ver mais longe do que os outros.
Se nós tivéssemos sempre a opinião da maioria, estaríamos ainda no Cro-Magnon e não teríamos saído das cavernas.
O que é preciso, portanto, é que cada qual respeite a opinião de qualquer, para que desse choque surja o esclarecimento do nosso destino, para própria felicidade da espécie humana.
Entretanto, no Brasil, não se quer isto. Procura-se abafar as opiniões, para só deixar em campo os desejos dos poderosos e prepotentes.
Os órgãos de publicidade, por onde se podiam elas revelar, são fechados e não aceitam nada que os possa lesar.
Dessa forma, quem, como eu, nasceu pobre e não quer ceder uma linha da sua independência de espírito e inteligência, só tem que fazer elogios à Morte.
Ela é a grande libertadora que não
recusa os seus benefícios a quem lhe pede. Ela nos resgata e nos leva à luz de Deus.
Sendo assim, eu a sagro, antes que ela me sagre na minha pobreza, na minha infelicidade, na minha desgraça e na minha honestidade.
Ao vencedor, as batatas!
Marginália, 19-10-1918

ATIVIDADE DE LEITURA

QUESTÃO 8:
Habilidade trabalhada:
Reconhecer a importância da crônica e do conto na literatura nacional.

Releia a crônica Elogio da Morte, de Lima Barreto:
a)                  Sublinhe todos os vocábulos cujo significado seja desconhecido e pesquise-os no dicionário ou enciclopédia, organizando um vocabulário do texto.
b)                  Filho de uma escrava com um português, Lima Barreto era mulato. O tempo das crônicas  de Barreto é o tempo em que o Brasil tinha vergonha de se assumir mulato. Como se não bastasse ter nascido “mulato” e pobre, era alcoólatra. Isso era suficiente para viver uma vida carregada de discriminação e preconceitos. No entanto, Lima Barreto, é considerado precursor do debate em torno das virtudes e vícios da mídia, como homem de letras e de imprensa.  “Em 1918, por exemplo, Lima Barreto já adquirira plena convicção de que o jornal não é o lugar onde a informação pode ser veiculada de forma  imparcial e isenta. É antes um campo de lutas e embates entre diferentes versões sobre a realidade, versões inegavelmente comprometidas com alguma perspectiva ideológica”.
Em suas crônicas e romances, procurava numa linguagem simples (considerado desmazelado, até) criticar o sensacionalismo noticioso e a tendência de privilegiar a ideologia dominante, fazendo do povo massa de manobra.
Identifique na Crônica Elogio da Morte, trechos que confirmem essa luta de Lima Barreto por uma imprensa que promovesse a independência cultural do povo brasileiro.

QUESTÃO 9:

A crônica Elogio da Morte, de Lima Barreto, não apresenta as mesmas características de Um idoso na fila do Detran, de Zuenir Ventura, uma vez que esta é predominantemente narrativa, enquanto aquela é argumentativa, podendo ser tratada como uma crônica-comentário.  No primeiro texto, vemos um fato que se desenrola em determinado tempo e espaço, por meio da interação de personagens.  Em Elogio da Morte, em vez disso, discute-se sobre um tema, sem que haja encadeamento de fatos, ordenadas ou não. No texto, há informações sobre a morte que podem ser consideradas fato, entretanto há outras informações que se caracterizam como opinião do autor. Identifique, assim, uma informação que se caracterize como factual e outra em que se expresse o ponto de vista do autor.


ATIVIDADES DE USO DA LÍNGUA

Questão  10
Habilidade trabalhada:
Identificar figuras de linguagem presentes na crônica.

A partir das definições a seguir, faça a correspondência entre as colunas identificando as figuras de linguagem presentes no texto.
a) antítese: consiste na aproximação de termos contrários, de palavras que se opõem pelo sentido.
b) ironia: é a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo-se, com isso, efeito crítico ou humorístico.
c) prosopopeia ou personificação: consiste em atribuir a seres inanimados predicativos que são próprios de seres animados.
d) metáfora: consiste em empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa relação de similaridade entre o sentido próprio e o sentido figurado. A metáfora implica, pois, uma comparação em que o conectivo comparativo fica subentendido.
e) hipérbole: trata-se de exagerar uma ideia com finalidade enfática.
f) metonímia: como a metáfora, consiste numa transposição de significado, ou seja, uma palavra que usualmente significa uma coisa passa a ser usada com outro significado. Todavia, a transposição de significados não é mais feita com base em traços de semelhança, como na metáfora. A metonímia explora sempre alguma relação lógica entre os termos.

(    ) Ao vencedor, as batatas!
(    ) Não sei quem foi  que disse que a Vida é feita pela Morte.
(     )  Os órgãos de publicidade, por onde se podiam elas revelar, são fechados e não aceitam nada que os possa lesar.
(     )  Ela é a grande  libertadora  que não recusa os seus benefícios a quem  lhe pede. Ela nos resgata e nos leva à luz de Deus.
(     ) A covardia mental e moral do Brasil não permite movimentos  de independência; ela só quer acompanhadores de procissão, que só visam lucros ou salários nós pareceres.
(     ) Estou cansado de dizer que os malucos foram os reformadores do mundo.

QUESTÃO 11
Podemos perceber que  o Texto Gerador II é  exemplo de crônica argumentativa, em que o narrador, por meio de inferências, procura defender a ideia de que a morte é mais importante  que a vida. O desenvolvimento de seu ponto de vista se constrói com o auxílio das conjunções coordenativas, que são responsáveis por estabelecer as relações lógicas num texto, tais como adição, alternância, adversidade/oposição, explicação e conclusão.
      Observe a passagem do quadro em seguida.  Justifique o emprego da conjunção coordenativa adversativa nesse segundo parágrafo e explique a importância dessa passagem no texto.
 “A esse respeito, porém, eu quero crer que a Morte mereça maiores encômios”.
Questão 12
Habilidade trabalhada: Relacionar o uso de conjunções coordenativas variadas aos sentidos produzidos nas sequências.
O emprego das conjunções posssibilita-nos criar efeitos de sentido nos enunciados de acordo com nossas intenções. Podemos alterar o sentido de um enunciado a partir da mudança de uma conjunção,mesmo mantendo o restante das informações.
                Com base nessa explicação, faça o que se pede, reescreva o trecho a seguir, de modo que a ideia de conclusão expressa pela conjunção se transforme em explicação, fazendo as alterações necessárias.
 “A divisa deles consiste em não ser panurgianos e seguir a opinião de todos, por isso mesmo podem ver mais longe do que os outros.”
ATIVIDADES DE PRODUÇÃO TEXTUAL

Questão 13
Habilidade trabalhada: Planejar e produzir um texto narrativo curto dos gêneros estudados.
Como já vimos, uma narrativa é construída a partir de cinco elementos principais, que retomamos, abaixo:
1- Enredo (o que contamos e com qual sequência)
2-Personagens ( quem participa e faz parte da história)
3-Tempo (quando acontece a história)
4- Espaço (onde ou em que lugar acontece a história)
5- Narrador (quem conta a história –narrador-personagem ou narrador-observador)
Tendo por base o texto de Zuenir Ventura, Um idoso na fila do DETRAN, e escolhendo uma das opções abaixo, crie uma crônica narrativa, curta e bem humorada (a atividade deverá ser feita em dupla). Nas opções abaixo, fornecemos três elementos: o narrador, o enredo e o espaço. Vocês escolhem os demais elementos (personagens e tempo), usando a imaginação e conhecimentos de leitura e escrita. Escrevam o texto em parágrafos, com início, meio e fim e lhe atribuam um título. Escrevam em torno de 15 linhas.
Opção 1: Narrador de primeira pessoa. Enredo: uma conversa em uma fila de banco.
Opção 2: Narrador de terceira pessoa. Enredo: uma conversa na fila do cinema.
Questão 14:
Habilidade trabalhada
Planejar e produzir um texto narrativo curto dos gêneros estudados.

À semelhança do que fez Lima Barreto, produza uma crônica-comentário: organize argumentos que discutam sobre um tema de seu interesse. Lembre-se de que neste tipo de crônica algumas informações devem caracterizar-se como factuais enquanto outras devem expressar o ponto de vista do autor.
Atente para o esquema do texto:

Título da crônica – possível indicador da posição
assumida pelo cronista perante o tema.
Introdução – apresentação do fato que motivou a
escritura da crônica.
Desenvolvimento – consiste na reflexão do cronista
 sobre o fato ou pessoa que motivou a crônica.
Conclusão – apresentação de uma ideia global, que
 sintetiza e traz à evidência o resultado da refle­xão
 do autor.

Escreva entre 25 e 30 linhas.
Sugestão de temas: Amizade, solidão, amor não-correspondido, bullying, conflito de gerações, solidariedade, ética e cidadania, ou à escolha.

Formação Continuada - Roteiro para estudo do Conto


ROTEIRO DE ATIVIDADES

- 2º bimestre do 9º ano do Ensino Fundamental -

 

EIXO BIMESTRAL: CRÔNICA E CONTO

2º CICLO: CONTO
Texto Gerador 1:
O texto gerador 1 é um conto de um dos grandes autores de nossa literatura: Lima Barreto. O texto, como outros do autor, apresenta uma temática social, com um personagem que passa por dificuldades financeiras e busca a solução no sobrenatural. Trata-se de um texto cuja leitura deve ser recomendada, uma vez que a narrativa possibilita a elaboração de várias atividades que comtemplam as habilidades do ciclo.

A CARTOMANTE
(Lima Barreto)
Não havia dúvida que naqueles atrasos e atrapalhações de sua vida, alguma influência misteriosa preponderava. Era ele tentar qualquer cousa, logo tudo mudava. Esteve quase para arranjar-se na Saúde Pública; mas, assim que obteve um bom "pistolão", toda a política mudou. Se jogava no bicho, era sempre o grupo seguinte ou o anterior que dava. Tudo parecia mostrar-lhe que ele não devia ir para adiante. Se não fossem as costuras da mulher, não sabia bem como poderia ter vivido até ali. Há cinco anos que não recebia vintém de seu trabalho. Uma nota de dois mil-réis, se alcançava ter na algibeira por vezes, era obtida com auxílio de não sabia quantas humilhações, apelando para a generosidade dos amigos.
Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria atual não tivesse o realce da prosperidade passada; mas, como fugir? Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a ele, a mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Preso à sua vergonha como a uma calceta, sem que nenhum código e juiz tivessem condenado, que martírio!
A certeza, porém, de que todas as suas infelicidades vinham de uma influência misteriosa, deu-lhe mais alento. Se era "coisa feita", havia de haver por força quem a desfizesse. Acordou mais alegre e se não falou à mulher alegremente era porque ela já havia saído. Pobre de sua mulher! Avelhantada precocemente, trabalhando que nem uma moura, doente, entretanto a sua fragilidade transformava-se em energia para manter o casal.
Ela saía, virava a cidade, trazia costuras, recebia dinheiro, e aquele angustioso lar ia se arrastando, graças aos esforços da esposa.
Bem! As cousas iam mudar! Ele iria a uma cartomante e havia de descobrir o que e quem atrasavam a sua vida.
Saiu, foi à venda e consultou o jornal. Havia muitos videntes, espíritas, teósofos anunciados; mas simpatizou com uma cartomante, cujo anúncio dizia assim: “Madame Dadá, sonâmbula, extralúcida, deita as cartas e desfaz toda espécie de feitiçaria, principalmente a africana. Rua etc.".
Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira a convicção de que aquela sua vida vinha sendo trabalhada pela mandinga de algum preto mina, a soldo do seu cunhado Castrioto, que jamais vira com bons olhos o seu casamento com a irmã.
Arranjou, com o primeiro conhecido que encontrou, o dinheiro necessário, e correu depressa para a casa de Madame Dadá.
O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A abastança voltaria à casa; compraria um terno para o Zezé, umas botinas para Alice, a filha mais moça; e aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar na memória como passageiro pesadelo.
Pelo caminho tudo lhe sorria. Era o sol muito claro e doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos transeuntes; e o mundo, que até ali lhe aparecia mau e turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce.
Entrou, esperou um pouco, com o coração a lhe saltar do peito.
O consulente saiu e ele foi afinal à presença da pitonisa. Era sua mulher.
Vocabulário
Abastança – fartura, abundância.
Alento – ânimo, coragem.
Algibeira – bolso da roupa.
Calceta – argola de ferro presa ao tornozelo de um prisioneiro e ligada por corrente à sua cintura ou à argola de outro prisioneiro.
Consulente – aquele que consulta.
Cruciante – que tortura, martiriza.
Extralúcida – muito lúcido, que raciocina com muita clareza.
Malefício – prejudicial.
Mandinga – feitiço, bruxaria.
Moura – pessoa que trabalha muito.
Pitonisa – adivinha, profetisa.
Preto mina – preto descendente de uma raça de negros da costa da Mina (África).
Soldo – pagamento.
Sonâmbula – pessoa que sofre de distúrbio do sono conhecido como sonambulismo.
Teósofo – pessoa que procura promover a união do homem com a divindade.
Transeuntes – pessoas que passam nas ruas.
Vidente – pessoa capaz de ver o mundo espiritual.
Vintém – dinheiro, antiga moeda do Brasil.

ATIVIDADES DE LEITURA                                          
QUESTÃO 1:
Uma história é contada por um narrador que, diante dos                                                                                                            fatos apresentados, pode assumir um ou outro ponto de vista: personagem ou observador, conforme quadro abaixo.
PONTO DE VISTA
PAPEL
TIPOS
          Narrador personagem ou narrador em 1ª pessoa
Atua como testemunha dos fatos narrados.

Protagonista: personagem mais importante da história.
Antagonista: rival do protagonista.
Personagem secundário: aquele que auxilia no desenvolvimento das ações do protagonista e do antagonista.
Narrador observador ou narrador em 3ª pessoa
Posiciona-se fora dos fatos narrados.

Narrador intruso: fala com o leitor e julga o comportamento das personagens.
Narrador neutro: busca a imparcialidade na apresentação dos fatos.
Narrador onisciente: revela o sentimento dos personagens.
Releia este trecho do conto A cartomante e reconheça o tipo de narrador, justificando sua resposta com elementos do texto.
“Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria atual
não tivesse o realce da prosperidade passada; mas, como fugir?
Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a ele, a
mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Preso à sua
vergonha como a uma calceta, sem que nenhum código e
juiz tivessem condenado, que martírio!”

QUESTÃO 2:
O conto é uma narrativa curta que apresenta as seguintes partes:


   ENREDO
                                   Conjunto de fatos                                                                                                                                                                                                                que compõem a história                          




Estrutura clássica:
1. Apresentação ou exposição:
descrição dos personagens, do tempo e/ou do espaço.
2. Complicação: parte em que se desenvolve o conflito.
3. Clímax: momento de maior tensão da narrativa.
4. Desfecho ou conclusão: a solução  dos conflitos.
Obs.:   Algumas narrativas apresentam um enredo psicológico: os  fatos nem sempre são evidentes, ou seja, não equivalem ações concretas, mas a movimentos interiores.
Em A cartomante, o problema a ser superado é a dificuldade financeira pela qual passa o personagem principal, sem emprego ou outro meio de ganhar dinheiro. A partir dele será desenvolvida a parte do enredo que denominamos complicação. Tendo como base essas informações, aponte, no conto A cartomante, o fato que desencadeia a complicação. 

QUESTÃO 3:
Um dos elementos da narrativa apresentado no quadro da questão 2 é o clímax, que é o momento de maior tensão na história, quando o conflito chega ao seu ponto máximo. Outro elemento é o desfecho, que é a solução do conflito apresentado. Em A cartomante, podemos dizer que clímax e desfecho coincidem?  Justifique sua resposta.

ATIVIDADES DE USO DA LÍNGUA
QUESTÃO 4:
As figuras de linguagem referem-se à significação das palavras, que podem se distanciar de sua significação convencional. Utilizamos esses recursos para realçar o que queremos dizer ou mesmo para que nosso interlocutor tenha uma ideia mais clara daquilo que queremos comunicar.
Uma dessas figuras é chamada de metáfora, que ocorre quando um termo substitui outro devido a uma relação de semelhança entre eles. Um exemplo pode ser observado na passagem do texto em que se relata que a vida da personagem era “trabalhada pela mandinga”. Nessa passagem, a construção é utilizada com o sentido de “lançar uma feitiçaria em alguém", o que demonstra um uso novo para o verbo “trabalhar”.
A partir das informações fornecidas, escolha a alternativa em que o verbo destacado assinala uma metáfora. Em seguida, explique como você percebeu essa figura de linguagem.
a) “Se jogava no bicho, era sempre o grupo seguinte [...]”
b) “Há cinco anos que não recebia vintém de seu trabalho.”
c) “[...] trabalhando que nem uma moura”
d) “a sua fragilidade transformava-se em energia para manter o casal”
e) “Ela saía, virava a cidade, trazia costuras, recebia dinheiro”

QUESTÃO 5:
Observe a passagem:
“Pobre mulher! Avelhantada precocemente, trabalhando que nem uma moura, doente, entretanto a sua fragilidade transformara-se em energia para manter o casal.”
Há, no trecho, uma comparação, figura de linguagem que consiste em aproximar dois seres devido a alguma semelhança existente entre eles, por meio da expressão “que nem”.   Essa comparação faz uma referência à expressão já cristalizada popularmente ― “Trabalhar como um mouro”. A razão desse emprego se deve ao fato de a mulher trabalhar muito, quase como uma escrava para ganhar algum dinheiro que garanta a sobrevivência da família.
Observe os parágrafos seguintes.  Em cada um deles, há uma passagem que apresenta a figura de linguagem comparação. Identifique-as.
“Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria atual não tivesse o realce da prosperidade passada; mas, como fugir? Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a ele, a mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Preso à sua vergonha como a uma calceta, sem que nenhum código e juiz tivessem condenado, que martírio!”
          
“O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A abastança voltaria à casa; compraria um terno para o Zezé, umas botinas para Alice, a filha mais moça; e aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar na memória como passageiro pesadelo.”

QUESTÃO 6: 
Além das figuras de linguagem metáfora e comparação, há outras bastante utilizadas e que acrescentam uma visão particular do autor em seu texto. São elas: a antítese, o emprego de palavras que se opõem em sentido; a personificação, a atribuição de sentimentos e ações próprios de seres humanos a seres inanimados; e a hipérbole, a expressão de uma ideia com exagero.
Veja esta passagem do texto:
“Era o sol muito claro e doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos transeuntes; e o mundo, que até ali lhe aparecia mau e turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce.”
Qual figura de linguagem está presente nos pares de palavras destacados do trecho enunciado?
a) Antítese
b) Comparação
c) Hipérbole
d) Metáfora
e) Personificação

Texto Gerador 2:
O Texto Gerador 2 é um conto de tradição indígena, transmitido oralmente ao longo dos séculos. Ele apresenta, como seu próprio título sugere, uma explicação de como surgiram as estrelas sob o ponto de vista da cultura indígena.

COMO NASCERAM AS ESTRELAS DO CÉU
Algumas índias foram colher milho para fazer pão para seus maridos. Um indiozinho seguiu a mãe e, ao vê-las fazendo pão, roubou um monte de milho. Chamou seus amigos e foram pedir para a avó fazer pão para eles também.
Mas as mães sentiram a falta do milho e começaram a procurar. Os meninos, depois que comeram o pão, resolveram fugir. Para que a avó não contasse o que tinham feito, cortaram-lhe a língua. Então, fugiram para o mato. Chamaram o colibri e pediram para que amarrasse lá no céu o maior cipó que encontrasse.
Assim feito, começaram a subir. 
As mães voltaram para a tribo para procurar o milho. Então, perceberam que as crianças não estavam lá.
Desesperadas, perguntaram para a avó o que tinha acontecido. Mas essa não podia responder.
Então, uma das mães olhou para o céu e viu os meninos subindo pelo cipó. As mães correram e imploraram para que voltassem, mas os meninos não obedeceram.
Então, elas decidiram subir no cipó também.
Mas os indiozinhos cortaram-no e as mães caíram. Ao chocarem-se contra o chão, transformaram-se em animais selvagens.
Os meninos malvados foram punidos por sua crueldade. 
Como castigo, tiveram que olhar fixamente todas as noites para a terra, para ver o que aconteceu com suas mães. Seus olhos, sempre abertos, são as estrelas.

ATIVIDADES DE LEITURA
QUESTÃO 7:
Como você já pôde observar, toda história é contada por alguém que pode estar participando ou não da narrativa. O foco irá mostrar se o narrador participa ou não da história. Identifique o foco narrativo presente no conto Como nasceram as estrelas do céu, explicando, com elementos do texto, como você chegou a essa conclusão.
         
QUESTÃO 8:
Em Como nasceram as estrelas do céu, podemos observar algumas características e valores da cultura indígena, apresentados por atividades do dia a dia da comunidade.  Dentre essas marcas da cultura indígena, observamos a explicação sobrenatural para o nascimento de corpos celestes e a criação dos animais selvagens.
Considerando que o povo indígena não possuía um sistema de escrita, qual seria a importância dos contos orais?

ATIVIDADE DE USO DA LÍNGUA
QUESTÃO 9:
As ações e os pensamentos de uma personagem podem ser transmitidos em um texto pelo discurso direto ou pelo indireto. No conto lido, o narrador expõe, com suas próprias palavras, a essência do que pensavam ou falavam os indiozinhos e os outros, o que caracteriza o uso discurso indireto.
Considerando as informações anteriores, indique trechos da narrativa em que se evidencia esse uso.

Texto Gerador 3:
O Texto Gerador 3 é o fragmento de um texto de Luís Fernando Veríssimo, sobre o hobby particular de um corretor de imóveis. Neste ciclo, o gênero textual “crônica”, é retomado com o objetivo de compará-lo ao gênero textual “conto”.
HOBBIES (trecho)
(Luís Fernando Veríssimo)
[...]
Málvio Alciole é corretor de imóveis mas tem uma paixão na vida:  a cirurgia cerebral.  Ele só se sente realmente feliz quando pode tirar o terno e a gravata, jogar para longe os sapatos sociais, vestir seu avental e suas luvas de borracha e abrir uma caixa  craniana.  Málvio tem uma sala de operações completa no porão de sua casa e é lá que passa suas horas de folga na companhia  de alguns amigos,  "botando a mão na massa", como dizem.  No caso, massa cinzenta.  O grupo varia, mas há sempre pelo menos um anestesista amador.  E as mulheres brincam de enfermeira quando não estão servindo os salgadinhos e a bebida. É um divertimento sadio e educativo que ajuda a descontrair.  Geralmente o grupo  espera  até o paciente voltar a si - se não houver nenhuma complicação - e todos saem para jantar depois da operação.  Málvio ainda não está equipado para cirurgias mais complexas. Mas diz: 
-Ando de olho num bisturi eletrônico. Se o conseguir, ninguém me segura!
O hobby não está muito difundido no Brasil porque não é barato. Diz Málvio: 
-Você tem ideia de quanto está custando uma broca occipital?
[...]

ATIVIDADE DE LEITURA
QUESTÃO 10:
Observe o conto A Cartomante, de Lima Barreto, e o fragmento da crônica Hobbies, de Luís Fernando Veríssimo. Compare os dois textos e preencha o quadro com as principais características que identificar em relação aos tópicos pedidos.

Conto A Cartomante
Crônica Hobbies
Assunto central




Tipologia textual predominante



Características das personagens




Nível de linguagem utilizado





ATIVIDADE DE PRODUÇÃO TEXTUAL
QUESTÃO 11:
Apresentamos o início de dois contos: um do escritor Moacir Scliar e outro de Lygia Fagundes Teles. Sua tarefa será dar continuidade a um dos contos, e fará isso de duas maneiras: primeiro, oralmente, construindo a história com um colega de turma; e, depois, de forma escrita, passando para o papel a narrativa que elaboraram.
A) Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranquilo, um dos últimos locais ― onde você pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira. [...]
(Moacir Scliar)
B) Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu. [...]
(Lygia Fagundes Teles)
Não se esqueça de que suas narrativas devem apresentar as seguintes partes:
● Apresentação (descrição das personagens, tempo e espaço).
● Complicação (início do desequilíbrio da história).
● Clímax (ponto máximo de tensão).
● Desfecho (revelação inusitada, surpreendente).