quarta-feira, 11 de maio de 2016

Poetando

UTOPIA

O que era palavra, calou-se
O que era lembrança, apagou-se
O que era eu se perdeu.

Nos caminhos que o tempo propôs
A andança sem fim me cansou..
E o brilho do olhar se rendeu.

As margens fecharam o cerco
prenderam o rio em seu leito
E ele não transbordou
A vida que era abundante
morrendo a cada instante
deu adeus e não mais voltou.

Mas se as águas pudessem voltar
E invadir a alma de novo...
Alargar o horizonte feliz...
Se o silêncio rompesse num grito...
E a bandeira da paz num agito
Recriasse o mundo que eu quis?

A palavra seria ouvida
A lembrança jamais esquecida
Alegria de se encontrar
Passos firmes, jamais vacilantes
Lado a lado, sem pressa, constantes,
Canto e flores em todo lugar.
Eliete
Nov/2015




O não-falar

Diante do caos
Muitas vezes se impõe o silêncio...
Impetuoso, nem sempre ardil.
E quando esse é o silêncio que fala
Cá dentro
Palavras medonhas
Fétidas, sórdidas, mórbidas
Pululam freneticamente
E se chocam...
Se esbofeteiam...
Se esfacelam...
Na ânsia de se libertarem,
Mas o silêncio grita mais alto
Cala cada uma delas
E espera em tempo dar lugar à calmaria
Pra germinar coisa bonita de se ouvir, pois
Os ouvidos não perdoam destemperos
E o coração explode ante a covardia. 
Eliete

Maio/2015
Salvação

A tempestade que caiu
Inundou meu coração
Cobriu as grades e muralhas
Do pecado – a expiação
Mergulhando nas verdades
Me afoguei no teu amor
Eu tive medo, superei
Minha pobreza interior
Quando tua força me invadiu
E um arco-íris fez surgir
Pão partido,
Vinho tinto,
Eu deixei-me seduzir...
Por isso eu canto com palavras
E com meu corpo a ti, Senhor!
Faze vibrar minhas entranhas
Com teu projeto de amor
Que eu seja sempre instrumento
Da tua luz e salvação
E saiba ler os teus sinais
No olhar aflito do irmão.

Quero comer da tua carne, quero beber do teu sangue!
Quero cumprir teu mandamento, me achegar a tua mesa
Quero semear a paz, a justiça e o perdão
Quero que esse mundo viva a tão sonhada comunhão!

                                                                                                                      Eliete Dez/2015
REVELAÇÃO

Quando eu me despir
Você vai ver
O que ficou gravado
No meu coração
É amor pra valer
Você vai saber que o meu sorriso
E o meu olhar
Sempre disseram tudo
O que a boca não conseguiu falar.

Você vai perceber
Que a distância aparente
Era o meu jeito inocente
De pedir pra você me amar

Se não quiser acreditar
Tudo bem, deixa pra lá
Mas se não quiser se arrepender
Não perca tempo
O meu lado solitário
Só esteve acompanhado por você.

Quando eu me despir
Você vai ver...

Eliete- dez/2015
RECORDAÇÕES

Lá na roça na casinha pequenina,
No vale frio bem no meio das mangueiras
Sentava à tarde para ouvir o violão
E com meu pai cantar modinhas costumeiras
Muitos ‘causos’, brincadeiras, alegria
Vendo os sonhos passeando na janela
Voando alto na difícil travessia
De cada dia de trabalho e sentinela.

Não percebi que o tempo ia tão depressa
Levando a infância para o fundo da memória
Tranquei à chave e cresci jogando fora
 A melhor parte que vivi em minha história.
Adormecidas lá ficaram bem no fundo
Imprensadas num tumulto de afazeres
Trazendo  à tona na fadiga da saudade
Vejo as  lembranças questionando meus deveres.

E se embaraço nas palavras e no choro
Eu não me importo, vou seguindo sempre em frente
Não há conforto, vaidade ou honraria
Capaz de preencher o vazio de uma mente.
Hoje visito as recordações passadas,
Na tentativa de encontrar-me uma vez mais
Em remendos de lembranças e ilusões
Vou dando os nós, reconstruindo minha paz.
Eliete





quinta-feira, 25 de abril de 2013

Tira da Mafalda



E aí, Turma 701/2013, a Mafalda conseguiu acalmar a mãe dela? Por quê?
Em que consiste o humor da tira?