RECORDAÇÕES
Lá na roça na casinha pequenina,
No vale frio bem no meio das mangueiras
Sentava à tarde para ouvir o violão
E com meu pai cantar modinhas costumeiras
Muitos ‘causos’, brincadeiras, alegria
Vendo os sonhos passeando na janela
Voando alto na difícil travessia
De cada dia de trabalho e sentinela.
Não percebi que o tempo ia tão depressa
Levando a infância para o fundo da memória
Tranquei à chave e cresci jogando fora
A melhor parte que
vivi em minha história.
Adormecidas lá ficaram bem no fundo
Imprensadas num tumulto de afazeres
Trazendo à tona na
fadiga da saudade
Vejo as lembranças
questionando meus deveres.
E se embaraço nas palavras e no choro
Eu não me importo, vou seguindo sempre em frente
Não há conforto, vaidade ou honraria
Capaz de preencher o vazio de uma mente.
Hoje visito as recordações passadas,
Na tentativa de encontrar-me uma vez mais
Em remendos de lembranças e ilusões
Vou dando os nós, reconstruindo minha paz.
Eliete
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