sábado, 22 de setembro de 2012

Formação Continuada - Roteiro para estudo do Conto


ROTEIRO DE ATIVIDADES

- 2º bimestre do 9º ano do Ensino Fundamental -

 

EIXO BIMESTRAL: CRÔNICA E CONTO

2º CICLO: CONTO
Texto Gerador 1:
O texto gerador 1 é um conto de um dos grandes autores de nossa literatura: Lima Barreto. O texto, como outros do autor, apresenta uma temática social, com um personagem que passa por dificuldades financeiras e busca a solução no sobrenatural. Trata-se de um texto cuja leitura deve ser recomendada, uma vez que a narrativa possibilita a elaboração de várias atividades que comtemplam as habilidades do ciclo.

A CARTOMANTE
(Lima Barreto)
Não havia dúvida que naqueles atrasos e atrapalhações de sua vida, alguma influência misteriosa preponderava. Era ele tentar qualquer cousa, logo tudo mudava. Esteve quase para arranjar-se na Saúde Pública; mas, assim que obteve um bom "pistolão", toda a política mudou. Se jogava no bicho, era sempre o grupo seguinte ou o anterior que dava. Tudo parecia mostrar-lhe que ele não devia ir para adiante. Se não fossem as costuras da mulher, não sabia bem como poderia ter vivido até ali. Há cinco anos que não recebia vintém de seu trabalho. Uma nota de dois mil-réis, se alcançava ter na algibeira por vezes, era obtida com auxílio de não sabia quantas humilhações, apelando para a generosidade dos amigos.
Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria atual não tivesse o realce da prosperidade passada; mas, como fugir? Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a ele, a mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Preso à sua vergonha como a uma calceta, sem que nenhum código e juiz tivessem condenado, que martírio!
A certeza, porém, de que todas as suas infelicidades vinham de uma influência misteriosa, deu-lhe mais alento. Se era "coisa feita", havia de haver por força quem a desfizesse. Acordou mais alegre e se não falou à mulher alegremente era porque ela já havia saído. Pobre de sua mulher! Avelhantada precocemente, trabalhando que nem uma moura, doente, entretanto a sua fragilidade transformava-se em energia para manter o casal.
Ela saía, virava a cidade, trazia costuras, recebia dinheiro, e aquele angustioso lar ia se arrastando, graças aos esforços da esposa.
Bem! As cousas iam mudar! Ele iria a uma cartomante e havia de descobrir o que e quem atrasavam a sua vida.
Saiu, foi à venda e consultou o jornal. Havia muitos videntes, espíritas, teósofos anunciados; mas simpatizou com uma cartomante, cujo anúncio dizia assim: “Madame Dadá, sonâmbula, extralúcida, deita as cartas e desfaz toda espécie de feitiçaria, principalmente a africana. Rua etc.".
Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira a convicção de que aquela sua vida vinha sendo trabalhada pela mandinga de algum preto mina, a soldo do seu cunhado Castrioto, que jamais vira com bons olhos o seu casamento com a irmã.
Arranjou, com o primeiro conhecido que encontrou, o dinheiro necessário, e correu depressa para a casa de Madame Dadá.
O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A abastança voltaria à casa; compraria um terno para o Zezé, umas botinas para Alice, a filha mais moça; e aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar na memória como passageiro pesadelo.
Pelo caminho tudo lhe sorria. Era o sol muito claro e doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos transeuntes; e o mundo, que até ali lhe aparecia mau e turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce.
Entrou, esperou um pouco, com o coração a lhe saltar do peito.
O consulente saiu e ele foi afinal à presença da pitonisa. Era sua mulher.
Vocabulário
Abastança – fartura, abundância.
Alento – ânimo, coragem.
Algibeira – bolso da roupa.
Calceta – argola de ferro presa ao tornozelo de um prisioneiro e ligada por corrente à sua cintura ou à argola de outro prisioneiro.
Consulente – aquele que consulta.
Cruciante – que tortura, martiriza.
Extralúcida – muito lúcido, que raciocina com muita clareza.
Malefício – prejudicial.
Mandinga – feitiço, bruxaria.
Moura – pessoa que trabalha muito.
Pitonisa – adivinha, profetisa.
Preto mina – preto descendente de uma raça de negros da costa da Mina (África).
Soldo – pagamento.
Sonâmbula – pessoa que sofre de distúrbio do sono conhecido como sonambulismo.
Teósofo – pessoa que procura promover a união do homem com a divindade.
Transeuntes – pessoas que passam nas ruas.
Vidente – pessoa capaz de ver o mundo espiritual.
Vintém – dinheiro, antiga moeda do Brasil.

ATIVIDADES DE LEITURA                                          
QUESTÃO 1:
Uma história é contada por um narrador que, diante dos                                                                                                            fatos apresentados, pode assumir um ou outro ponto de vista: personagem ou observador, conforme quadro abaixo.
PONTO DE VISTA
PAPEL
TIPOS
          Narrador personagem ou narrador em 1ª pessoa
Atua como testemunha dos fatos narrados.

Protagonista: personagem mais importante da história.
Antagonista: rival do protagonista.
Personagem secundário: aquele que auxilia no desenvolvimento das ações do protagonista e do antagonista.
Narrador observador ou narrador em 3ª pessoa
Posiciona-se fora dos fatos narrados.

Narrador intruso: fala com o leitor e julga o comportamento das personagens.
Narrador neutro: busca a imparcialidade na apresentação dos fatos.
Narrador onisciente: revela o sentimento dos personagens.
Releia este trecho do conto A cartomante e reconheça o tipo de narrador, justificando sua resposta com elementos do texto.
“Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria atual
não tivesse o realce da prosperidade passada; mas, como fugir?
Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a ele, a
mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Preso à sua
vergonha como a uma calceta, sem que nenhum código e
juiz tivessem condenado, que martírio!”

QUESTÃO 2:
O conto é uma narrativa curta que apresenta as seguintes partes:


   ENREDO
                                   Conjunto de fatos                                                                                                                                                                                                                que compõem a história                          




Estrutura clássica:
1. Apresentação ou exposição:
descrição dos personagens, do tempo e/ou do espaço.
2. Complicação: parte em que se desenvolve o conflito.
3. Clímax: momento de maior tensão da narrativa.
4. Desfecho ou conclusão: a solução  dos conflitos.
Obs.:   Algumas narrativas apresentam um enredo psicológico: os  fatos nem sempre são evidentes, ou seja, não equivalem ações concretas, mas a movimentos interiores.
Em A cartomante, o problema a ser superado é a dificuldade financeira pela qual passa o personagem principal, sem emprego ou outro meio de ganhar dinheiro. A partir dele será desenvolvida a parte do enredo que denominamos complicação. Tendo como base essas informações, aponte, no conto A cartomante, o fato que desencadeia a complicação. 

QUESTÃO 3:
Um dos elementos da narrativa apresentado no quadro da questão 2 é o clímax, que é o momento de maior tensão na história, quando o conflito chega ao seu ponto máximo. Outro elemento é o desfecho, que é a solução do conflito apresentado. Em A cartomante, podemos dizer que clímax e desfecho coincidem?  Justifique sua resposta.

ATIVIDADES DE USO DA LÍNGUA
QUESTÃO 4:
As figuras de linguagem referem-se à significação das palavras, que podem se distanciar de sua significação convencional. Utilizamos esses recursos para realçar o que queremos dizer ou mesmo para que nosso interlocutor tenha uma ideia mais clara daquilo que queremos comunicar.
Uma dessas figuras é chamada de metáfora, que ocorre quando um termo substitui outro devido a uma relação de semelhança entre eles. Um exemplo pode ser observado na passagem do texto em que se relata que a vida da personagem era “trabalhada pela mandinga”. Nessa passagem, a construção é utilizada com o sentido de “lançar uma feitiçaria em alguém", o que demonstra um uso novo para o verbo “trabalhar”.
A partir das informações fornecidas, escolha a alternativa em que o verbo destacado assinala uma metáfora. Em seguida, explique como você percebeu essa figura de linguagem.
a) “Se jogava no bicho, era sempre o grupo seguinte [...]”
b) “Há cinco anos que não recebia vintém de seu trabalho.”
c) “[...] trabalhando que nem uma moura”
d) “a sua fragilidade transformava-se em energia para manter o casal”
e) “Ela saía, virava a cidade, trazia costuras, recebia dinheiro”

QUESTÃO 5:
Observe a passagem:
“Pobre mulher! Avelhantada precocemente, trabalhando que nem uma moura, doente, entretanto a sua fragilidade transformara-se em energia para manter o casal.”
Há, no trecho, uma comparação, figura de linguagem que consiste em aproximar dois seres devido a alguma semelhança existente entre eles, por meio da expressão “que nem”.   Essa comparação faz uma referência à expressão já cristalizada popularmente ― “Trabalhar como um mouro”. A razão desse emprego se deve ao fato de a mulher trabalhar muito, quase como uma escrava para ganhar algum dinheiro que garanta a sobrevivência da família.
Observe os parágrafos seguintes.  Em cada um deles, há uma passagem que apresenta a figura de linguagem comparação. Identifique-as.
“Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria atual não tivesse o realce da prosperidade passada; mas, como fugir? Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a ele, a mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Preso à sua vergonha como a uma calceta, sem que nenhum código e juiz tivessem condenado, que martírio!”
          
“O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A abastança voltaria à casa; compraria um terno para o Zezé, umas botinas para Alice, a filha mais moça; e aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar na memória como passageiro pesadelo.”

QUESTÃO 6: 
Além das figuras de linguagem metáfora e comparação, há outras bastante utilizadas e que acrescentam uma visão particular do autor em seu texto. São elas: a antítese, o emprego de palavras que se opõem em sentido; a personificação, a atribuição de sentimentos e ações próprios de seres humanos a seres inanimados; e a hipérbole, a expressão de uma ideia com exagero.
Veja esta passagem do texto:
“Era o sol muito claro e doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos transeuntes; e o mundo, que até ali lhe aparecia mau e turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce.”
Qual figura de linguagem está presente nos pares de palavras destacados do trecho enunciado?
a) Antítese
b) Comparação
c) Hipérbole
d) Metáfora
e) Personificação

Texto Gerador 2:
O Texto Gerador 2 é um conto de tradição indígena, transmitido oralmente ao longo dos séculos. Ele apresenta, como seu próprio título sugere, uma explicação de como surgiram as estrelas sob o ponto de vista da cultura indígena.

COMO NASCERAM AS ESTRELAS DO CÉU
Algumas índias foram colher milho para fazer pão para seus maridos. Um indiozinho seguiu a mãe e, ao vê-las fazendo pão, roubou um monte de milho. Chamou seus amigos e foram pedir para a avó fazer pão para eles também.
Mas as mães sentiram a falta do milho e começaram a procurar. Os meninos, depois que comeram o pão, resolveram fugir. Para que a avó não contasse o que tinham feito, cortaram-lhe a língua. Então, fugiram para o mato. Chamaram o colibri e pediram para que amarrasse lá no céu o maior cipó que encontrasse.
Assim feito, começaram a subir. 
As mães voltaram para a tribo para procurar o milho. Então, perceberam que as crianças não estavam lá.
Desesperadas, perguntaram para a avó o que tinha acontecido. Mas essa não podia responder.
Então, uma das mães olhou para o céu e viu os meninos subindo pelo cipó. As mães correram e imploraram para que voltassem, mas os meninos não obedeceram.
Então, elas decidiram subir no cipó também.
Mas os indiozinhos cortaram-no e as mães caíram. Ao chocarem-se contra o chão, transformaram-se em animais selvagens.
Os meninos malvados foram punidos por sua crueldade. 
Como castigo, tiveram que olhar fixamente todas as noites para a terra, para ver o que aconteceu com suas mães. Seus olhos, sempre abertos, são as estrelas.

ATIVIDADES DE LEITURA
QUESTÃO 7:
Como você já pôde observar, toda história é contada por alguém que pode estar participando ou não da narrativa. O foco irá mostrar se o narrador participa ou não da história. Identifique o foco narrativo presente no conto Como nasceram as estrelas do céu, explicando, com elementos do texto, como você chegou a essa conclusão.
         
QUESTÃO 8:
Em Como nasceram as estrelas do céu, podemos observar algumas características e valores da cultura indígena, apresentados por atividades do dia a dia da comunidade.  Dentre essas marcas da cultura indígena, observamos a explicação sobrenatural para o nascimento de corpos celestes e a criação dos animais selvagens.
Considerando que o povo indígena não possuía um sistema de escrita, qual seria a importância dos contos orais?

ATIVIDADE DE USO DA LÍNGUA
QUESTÃO 9:
As ações e os pensamentos de uma personagem podem ser transmitidos em um texto pelo discurso direto ou pelo indireto. No conto lido, o narrador expõe, com suas próprias palavras, a essência do que pensavam ou falavam os indiozinhos e os outros, o que caracteriza o uso discurso indireto.
Considerando as informações anteriores, indique trechos da narrativa em que se evidencia esse uso.

Texto Gerador 3:
O Texto Gerador 3 é o fragmento de um texto de Luís Fernando Veríssimo, sobre o hobby particular de um corretor de imóveis. Neste ciclo, o gênero textual “crônica”, é retomado com o objetivo de compará-lo ao gênero textual “conto”.
HOBBIES (trecho)
(Luís Fernando Veríssimo)
[...]
Málvio Alciole é corretor de imóveis mas tem uma paixão na vida:  a cirurgia cerebral.  Ele só se sente realmente feliz quando pode tirar o terno e a gravata, jogar para longe os sapatos sociais, vestir seu avental e suas luvas de borracha e abrir uma caixa  craniana.  Málvio tem uma sala de operações completa no porão de sua casa e é lá que passa suas horas de folga na companhia  de alguns amigos,  "botando a mão na massa", como dizem.  No caso, massa cinzenta.  O grupo varia, mas há sempre pelo menos um anestesista amador.  E as mulheres brincam de enfermeira quando não estão servindo os salgadinhos e a bebida. É um divertimento sadio e educativo que ajuda a descontrair.  Geralmente o grupo  espera  até o paciente voltar a si - se não houver nenhuma complicação - e todos saem para jantar depois da operação.  Málvio ainda não está equipado para cirurgias mais complexas. Mas diz: 
-Ando de olho num bisturi eletrônico. Se o conseguir, ninguém me segura!
O hobby não está muito difundido no Brasil porque não é barato. Diz Málvio: 
-Você tem ideia de quanto está custando uma broca occipital?
[...]

ATIVIDADE DE LEITURA
QUESTÃO 10:
Observe o conto A Cartomante, de Lima Barreto, e o fragmento da crônica Hobbies, de Luís Fernando Veríssimo. Compare os dois textos e preencha o quadro com as principais características que identificar em relação aos tópicos pedidos.

Conto A Cartomante
Crônica Hobbies
Assunto central




Tipologia textual predominante



Características das personagens




Nível de linguagem utilizado





ATIVIDADE DE PRODUÇÃO TEXTUAL
QUESTÃO 11:
Apresentamos o início de dois contos: um do escritor Moacir Scliar e outro de Lygia Fagundes Teles. Sua tarefa será dar continuidade a um dos contos, e fará isso de duas maneiras: primeiro, oralmente, construindo a história com um colega de turma; e, depois, de forma escrita, passando para o papel a narrativa que elaboraram.
A) Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranquilo, um dos últimos locais ― onde você pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira. [...]
(Moacir Scliar)
B) Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com uma criança e eu. [...]
(Lygia Fagundes Teles)
Não se esqueça de que suas narrativas devem apresentar as seguintes partes:
● Apresentação (descrição das personagens, tempo e espaço).
● Complicação (início do desequilíbrio da história).
● Clímax (ponto máximo de tensão).
● Desfecho (revelação inusitada, surpreendente).

sexta-feira, 9 de março de 2012

902, as cartas pessoais podem chegar aos seus interlocutores de formas inusitadas. Curtam essa "carta-canção" do Chico Buarque e Francis Hime para o amigo e teatrólogo Augusto Boal, num tempo em que a coisa por aqui estava "preta"...
http://www.youtube.com/watch?v=AyiiBdCeenw

Para a 2001 e a 2002,  Românticos na voz de Rita Ribeiro, para servir de inspiração ao trabalho de Poesia Romântica no 1° Bimestre.

domingo, 27 de novembro de 2011

Chegando ao final de mais um ano, olho para o céu e vejo-o completamente estrelado. Felizes de vocês, queridos pupilos, se compreenderem a mágica linguagem das estrelas.
Amai para entendê-las... pois só quem ama tem ouvido capaz de ouvir e entender estrelas. (Olavo Bilac)